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sábado, 18 de agosto de 2012

O ARGUMENTO TOLO DOS PREGUIÇOSOS: “A LETRA MATA, MAS O ESPÍRITO VIVIFICA”



Por Fabio Campos

Texto base: “Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica”. (2 Co 3:6 NVI).

Alguns meses atrás, participando de um culto, o pregador até bem intencionado soltou esta perola: “A letra mata, mas o espírito vivifica”. No contexto da ministração ele dizia a cerca dos “teólogos” que só criticam, e por serem homens de muito estudo, a soberba tinha ganho espaço em seus corações; e como “a letra mata e o espirito vivifica”, teríamos que tomar cuidado com os tais teólogos.

Confesso que aquela ministração “acabou” com meu domingo! Por ser um ministro de “posição” relevante no ministério e pelo tempo de caminhada cristã, “juguei” inadmissível o falar deste pregador. Este versículo é mal usado pelos preguiçosos que não querem estudar a Bíblia em profundidade. Quero ver se estes, em suas faculdades, não se aprofundam no conteúdo programático da matéria a ser lecionada! É triste! Isso só tem uma explicação: falta de temor a Deus, e desprezo por sua Santíssima Palavra.

A passagem de 2 coríntios diz respeito a “prática da Lei” para justificação diante de Deus, ou seja, para quem vive com base em seus próprios méritos. O que tenta ser justificado pela Lei, por causa de sua incapacidade devido a sua natureza carnal, será condenado por não ter satisfeito a justiça de Deus.

O apóstolo Paulo nos diz que mediante a justiça de Deus, no sacrifício vicário do Senhor Jesus, aquilo que fora impossível a Lei, Deus o fez enviando seu Filho em semelhança de carne pecaminosa, condenando o pecado na carne, para que a justiça sendo satisfeita, e no derramamento do Espírito, o “principio ativo” de nosso coração que antes era o desejo de pecar, mudasse para o desejo de se santificar. Agora com a Lei escrita em nossos corações, este “princípio ativo” deseja a santificação.

Deus sendo perfeito, logo sua Lei é perfeita e Santa! Já o homem caído, depravado, nunca poderá chegar a este nível; a sentença mediante a Lei é morte por não ter sido cumprida. A Lei projeta para a Santidade de Deus, e o evangelho nos faz “cumprir” a vontade divina. Por isso que Cristo sendo a justiça perfeita de Deus, condenou o pecado em seu próprio corpo para aquele que nele crer não morra (segunda morte), mas tenha a vida eterna. Mediante o Espirito Santo que vivifica o homem morto em suas transgressões, este passa a ser participante da natureza divina, livrando-se da corrupção e das paixões que há no mundo. Sua vontade agora é de agradar a Deus ao invés dos seus desejos pecaminosos!

Não dá para entender o argumento destes irmãos (me refiro aos "velhos" de caminhada cristã)! A palavra de Deus é tão simples quando entendemos que nós é que somos complicados! Com a iluminação do Espirito podemos entendê-la em sua essência! Precisamos buscar a Deus para que Ele nos dê mais amor pelas Escrituras e assim não cometer erros gravíssimos como esses!

O salmista diz ter prazer na Lei do Senhor e medita nela de dia e de noite (Sl 1:2). Um obreiro que não deseja ser envergonhado, precisa e deve manusear bem a Bíblia (2 Tm 2:15). Ele também deve estar preparado para responder com mansidão aqueles que perguntarem a respeito do evangelho (1 Pe. 3:15).

A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus (Rm. 10.17) e a santificação, ou seja, o processo de tirar o mundo dentro do salvo, é por meio da Palavra, que é a Verdade (Jo. 17:17 / Sl 119:9). Infelizmente muitas igrejas não têm o hábito do estudo sistemático das Escrituras. Muitos se deixam levar pelo o engodo de satanás, se abstendo da meditação para se alimentarem de visões, profetadas em cultos de “batalha espiritual” e coisas do gênero. Esquecem que satanás foi derrotado pela Palavra (Mt. 4: 1-11). “Está escrito”. Isso é sujeição a Deus!

É uma vergonha saber que irmãos pensam assim! Eles nem imaginam quanto sangue foi derramado para que o livro sagrado chegasse a nossas mãos! Esses que criticam os teólogos (digo gente séria) denotam contrariedade quando leem suas Bíblias, pois com cem por cento de certeza o nome de alguns desses estudiosos estão em suas edições.

Só posso definir este sentimento, o de não ter prazer em meditar na Lei do Senhor, da seguinte forma: “quem está na carne não pode agradar a Deus e nem tem prazer em suas coisas, logo o espírito não habita nesta pessoa (Rm 8:5-9). Do contrário, eles seriam felizes em ler e praticar as Escrituras (Sl 119:1-2). Teriam sede em saber mais dos propósitos de Deus (Sl 119: 27), e a Palavra estaria constantemente em seus lábios em forma louvor” (119: 48).

Spurgeon certa vez, disse: “Aquele que rejeitar a Palavra de Deus por Ele será rejeitado”. Não sejamos como os sacerdotes do tempo de Oséias que levaram o povo a destruição por rejeitarem os decretos divinos, e tiveram a condenação de serem rejeitados por Deus. Mas sejamos guerreiros que com a espada nas mãos, por meio da ação do Espírito, com amor pelos decretos do Senhor, levemos muitos ao conhecimento da verdade, e esta pura, sem nenhuma adulteração incitada por satanás. Nosso Deus não é “híbrido”! Sua Palavra não pode ser sincretizada, e tudo que vem da mente humana contrário as escrituras, é pagã. Rejeitemos esses ensinos!
Deus abençõe!

Fabio Campos
Soli Del Gloria!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A Devoção de Jonathan Edwards


Wilson Porte Junior

Wilson Porte Junior é ministro da Convenção Batista Brasileira, membro da Comunhão Reformada Batista do Brasil, pastor da Igreja Batista Liberdade, em Araraquara-SP, apresentador do programa de TV "conexão", professor de Exposição Bíblica, Grego e Hebraico no Seminário Martin Bucer, e de Teologia Sistemática, História Eclesiástica, Grego e Hebraico na Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares (SEBI). Coordenador da SEBI-Araraquara. Bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e mestre em Teologia pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper (Universidade Presbiteriana Mackenzie).

Era o cair da tarde em Northampton. Enquanto alguns homens já desfrutavam do descanso de seu lar, outros ainda retornavam do campo anelando pelo descanso da noite. Enquanto isso, muitos acenavam para um casal bastante conhecido e amado na cidade. Eles passeavam em seus cavalos e conversavam. Sua amizade era como um alento. Ao retornarem ao lar, e aos onze filhos, Jonathan e Sarah Edwards tinham juntos seus momentos devocionais antes de dormirem. E, assim, terminava mais um dia.

Dentro do pouco que conhecemos sobre a piedade de Edwards, encontra-se sua relação com Sarah, sua esposa. Segundo o Dr. Alderi Souza de Matos (CPAJ-Universidade Mackenzie), Edwards e Sarah possuíam grande harmonia, amor e companheirismo. Até o final de sua vida, eles mantiveram o hábito de andar a cavalo, ao cair da tarde, para poderem conversar. Antes de dormirem, sempre tinham juntos seus momentos devocionais.

Jonathan Edwards viu a Bíblia, acima de tudo, como um livro de instruções, cujo objetivo é guiar os cristãos no caminho da obediência à vontade de Deus.

Influência Puritana
Edwards era um típico congregacional da Nova Inglaterra, conformando-se às formulações puritanas de devoção pública e particular. Em seu livro, Jonathan Edwards on Worship: Public and Private Devotion to God (Jonathan Edwards sobre adoração: devoção pública e particular a Deus), Ted Rivera afirma que, embora os hábitos devocionais particulares de Edwards sejam quase totalmente desconhecidos, o pouco que sabemos é que Edwards herdou dos antigos puritanos sua ansiedade pela segurança da salvação, seu zelo em acabar com o pecado, e sua preocupação cuidadosa por um autoexame.

Como os demais puritanos, Edwards estava muito preocupado em crescer firmemente em fé e boas obras. A santificação pessoal, que começa com a devoção particular diária, resulta em boas obras que devem ser ilimitadas. Para os puritanos, uma verdadeira confiança em Cristo nunca  é infundida sem outras graças com ela, graças estas que sempre resultam no bem do próximo.

Autoexame
Em 1738, Jonathan Edwards pregou uma série de sermões intitulada Charity and Its Fruits (Caridade e seus frutos) onde tratou das práticas espirituais, do amor divino e dos hábitos dos crentes. 

Edwards, nestes sermões, demonstrou que gostaria que sua congregação observasse muitas destas práticas espirituais particulares: exame da consciência, constante avaliação espiritual, orações familiares matutinas e vespertinas, leitura particular das Escrituras, encontros com outros cristãos, e uma abrangente observância do Sabbath.

William C. Spohn, em artigo publicado no Journal of Religious Ethics (Revista de Ética Religiosa), destaca que "de seus escassos escritos autobiográficos, parece que sua rotina diária era organizada em torno destes exercícios devocionais".

Estes sermões foram pregados após um avivamento na igreja local (Northampton), por volta de 1736-37, e pouco antes do Grande Despertamento, ocorrido entre 1740-43. Estes sermões esboçam algumas práticas específicas que foram vividas antes e durante o Grande Despertamento.

Edwards sempre praticou e recomendou a prática do autoexame. Segundo ele, o autoexame é uma forma de manter a piedade diária que, por sua vez, tem como objetivo neutralizar as tendências persistentes ao pecado. O autoexame serve também para trazer energia para a vida moral, que é o símbolo mais seguro de uma conversão religiosa.

Como a maioria dos puritanos, Edwards praticava regularmente o autoexame. Seus diários, do período em que ele era bem jovem, nos mostram alguém buscando examinar cuidadosamente suas motivações, disposições e ações. Edwards recomendava seus paroquianos a, regularmente, praticarem o autoexame, não apenas uma vez ou duas, mas diária e continuamente, até que, por assim fazer, suas mentes iriam, degrau por degrau, crescer. Assim, conquistariam um hábito de consideração saudável de sua alma, além de uma vida e ação prudentes.

A Devoção: Uma Busca Pela Santidade
John Gerstner, em seu livro Jonathan Edwards: a mini-theology (Jonathan Edwards: uma mini-teologia), dedica o capítulo nove para tratar da busca pessoal de Edwards pela santidade. De seus sermões escritos, em mais de 1.200 o tema central é a santificação. Além dos sermões, seus escritos também estão carregados deste tema.

Em seu livro Religious Affections (Afeições Religiosas), ao tratar sobre justificação, opondo-se ao antinomianismo e ao neonomianismo, Edwards insiste por uma pura doutrina da santificação como um corolário da justificação.

Em A Faithful Narrative of the Surprising Work of God (Uma narrativa fiel da surpreendente obra de Deus), bem como em Thoughts on Revival (Pensamentos sobre Reavivamento), Edwards perseguiu determinadamente o mesmo tema. EmHumble Attempt (Esforço Humilde), Edwards faz um chamado à oração, essencial para a santificação.

Ao tratar da necessidade de santificação, Gerstner destaca que, nos sermões de Edwards, é contrário à razão um Deus santo abraçar criaturas imundas. É igualmente estranho imaginar um Deus que ama criaturas imundas, pois, tal amor, perverteria tanto Ele com o céu. Há uma razão inerente na natureza do pecado que torna necessário que o pecador seja infeliz e incapaz de ser feliz. Para Edwards, para que um cristão seja feliz, ele deve obedecer tanto às práticas espirituais diárias, quanto àquelas relacionadas ao 2º mandamento. Para ele, alguém não pode ser salvo sem obedecer ao 2º mandamento (amar ao próximo).

Para Edwards, quando colocamos a santificação em prática, evidenciamos ao diabo o triunfo glorioso do Senhor sobre ele. Edwards não compreende um cristão que não se satisfaz com a santidade. O cristão não está satisfeito com nada menos do que ser perfeitamente santo. O cristão verdadeiro e sincero dá mais glória a Deus do que um mundo todo de homens maus.

Em um de seus sermões, Edwards diz que uma pessoa dando um copo d'água em nome de Cristo significa muito mais para Deus do que um não convertido entregando seu corpo para ser queimado. Cristianismo consiste em prática. O homem natural não pode mortificar suas próprias concupiscências. A fé posta em ação é capaz de mortificar as concupiscências do coração humano; e é uma evidência de seu poder.

Embora os cristãos possuam um princípio novo e poderoso que sobrepõe suas concupiscências, estas ainda permanecem presentes e, por isso, a devoção diária nunca deve ser negligenciada. Para Edwards, há no coração piedoso uma luta comparável àquela que aconteceu no ventre de Rebeca entre Jacó e Esaú. Guerra é outra analogia que Edwards usa para descrever a luta no coração da pessoa convertida.

Edwards e as Manifestações Extraordinárias
Segundo Spohn, Edwards não se prendeu às manifestações extraordinárias da graça em seus sermões no período do Grande Despertamento - muito menos após este período. À semelhança de João da Cruz, outro teólogo que experimentou momentos intensos de enlevo espiritual, Edwards sempre suspeitou de fenômenos místicos.

Para Edwards, as manifestações extraordinárias não davam nenhuma prova de conversão ou santidade. A autenticidade da experiência religiosa não era determinada por sua intensidade ou natureza incomum, mas pela qualidade de vida que emergia dela. Novos hábitos da vida cristã, manifestariam gradualmente que a pessoa era, de fato, "espiritual", ou seja, que ela tinha parte na santidade de Deus através do Espírito Santo que vive nela.

Um Exemplo Final
Fredrick Youngs, escrevendo para o Journal of the National Association of Baptist Professors of Religions (Revista da Associação Nacional de Professores Batistas de Religião), disse que, uma vez que a ênfase de Edwards sobre religião experiencial surgiu de sua própria experiência, passagens autobiográficas serão as fontes primárias para quem deseja prosseguir na tarefa de entender a devoção e piedade de Jonathan Edwards. Em sua Personal Narrative (Narrativa Pessoal), Edwards traz dois parágrafos consecutivos descrevendo eventos de logo após sua conversão.
Pouco tempo depois que comecei a experimentar estas coisas, falei com meu pai sobre alguns pensamentos que passaram em minha mente. Fiquei muito afetado pela conversa que tivemos. E, quando a conversa terminou, caminhei sozinho para fora, num lugar solitário nos campos de pastagens de meu pai, para meditar. E, enquanto eu estava andando lá, e olhei para o céu e nuvens, veio à minha mente uma sensação doce da gloriosa majestade e graça de Deus, que não sei como expressar. Pareceu-me vê-las em uma terna conjunção: majestade e mansidão se juntaram: era uma majestade santa, doce e gentil, e também uma majestosa mansidão; uma ternura impressionante, uma ternura elevada, grande, e santa.
Após isso, meu senso das coisas divinas gradualmente aumentaram, e se tornou mais e mais vivo, e eu sentia mais daquela ternura interior. A aparência de tudo mudou: parecia haver em quase tudo, por assim dizer, um molde ou aparência calma e terna da glória divina. A excelência de Deus, sua sabedoria, sua pureza e amor, pareciam aparecer em tudo; no sol, na lua e nas estrelas; nas nuvens e no céu azul; na grama, nas flores, nas árvores; na água e em toda a natureza; as quais ele usou grandemente para consertar minha mente... E, enquanto eu observava... como sempre parecia natural para mim, eu cantava todas as minhas meditações, falando os meus pensamentos em solilóquios, e falando-os com um canto.
Edwards, desde muito cedo, provou a Deus. Desfrutou de sua comunhão e compartilhou isso com sua família em primeiro lugar. A exemplo dele, concluo refletindo sobre como seria saudável se voltássemos a praticar tais "antigos" hábitos devocionais. Como precisamos anelar mais a Deus do que qualquer bem que dele venha a nós! Ele é o mais precioso bem que podemos encontrar. Ele se oferece a nós e nos convida a irmos a ele, diariamente! Creio que, sem essa sede e fome pelo Senhor, jamais experimentaremos um gracioso despertamento do Senhor, como Jonathan e Sarah Edwards experimentaram. E, tenha certeza, um despertamento espiritual, sempre começará em sua casa!



Ted Rivera. Jonathan Edwards on worship: public and private devotion to God. Eugene: Pickwick, 2010.
Alderi Souza de Matos. Jonathan Edwards: teólogo do coração e do intelecto. Fides Reformata. v. 3, n. 1., 1998.
William C. Spohn. Spirituality and its Discontents: Jonathan Edwards's Charity and Its Fruits. Journal of Religious Ethics. v. 31, n. 2, 2003.
John Gerstner. Jonathan Edwards: a mini-theology. Morgan: Soli Deo Gloria, 1987.
Sermões de Jonathan Edwards.
Jonathan Edwards. Original Sin. Cornwall: Diggory Press, 2007.
Jonathan Edwards. Religious Affections. Grand Rapids: Sovereign Grace, 1971.
Fredrick Youngs. Jonathan Edwards, A Mystic? Journal of NABPR. 
Jonathan Edwards. Letters and Personal Writings. New Haven: Yale University Press, 1998.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um Desafio às Mulheres



John Piper

John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.

Neste breve texto, o pastor John Piper enumera, como que em oração, uma lista de importantes conselhos direcionados às mulheres cristãs, a fim de que vivam para a glória de Cristo.
  1. Que tudo da sua vida - em qualquer esfera - seja devotado à glória de Deus.
  2. Que as promessas de Cristo sejam confiadas tão plenamente que paz, alegria e força encham sua alma a ponto de transbordar.
  3. Que essa plenitude de Deus abunde em atos diários de amor, de forma que as pessoas possam ver suas boas obras e glorificar ao seu Pai no céu.
  4. Que vocês sejam mulheres do Livro, que amem, estudem e obedeçam a Bíblia em cada área do seu ensino. Que a meditação sobre a verdade bíblica possa ser a fonte de esperança e fé. E que vocês continuem a crescer em entendimento através de todos os capítulos de sua vida, nunca pensando que o estudo e o crescimento são apenas para os outros.
  5. Que vocês sejam mulheres de oração, de forma que a Palavra de Deus se abra para vocês; e o poder da fé e santidade desça sobre vocês; e sua influência espiritual crescerá no lar, na igreja e no mundo.
  6. Que vocês sejam mulheres que tenham uma profunda compreensão da graça soberana de Deus, fortalecendo todo esse processo espiritual; que sejam pensadoras profundas sobre as doutrinas da graça, e amantes e crentes profundos dessas coisas.
  7. Que vocês sejam totalmente comprometidas ao ministério, seja qual for o seu papel específico, que não desperdicem o seu tempo em revistas de senhoras ou hobbies inúteis, assim como seus maridos não deveriam desperdiçar o tempo deles em esportes excessivos ou coisas sem propósito na garagem. Que você redima o tempo para Cristo e seu reino.
  8. Que vocês, se solteiras, explorem seu solteirismo para a plena devoção a Cristo e não sejam paralisadas pelo desejo de se casar.
  9. Que vocês, se casadas, apoiem a liderança do seu marido de maneira criativa, inteligente e sincera, tão profundamente como uma obediência a Cristo permitir; que vocês o encorajem em seu papel designado por Deus como o cabeça; que vocês o influenciem espiritualmente primariamente através da sua tranquilidade destemida, santidade e oração.
  10. Que vocês, se tiverem filhos, aceitem a responsabilidade com o seu marido (ou sozinhas, se necessário) de criar os filhos que esperam no triunfo de Deus, compartilhando com ele o ensino e a disciplina das crianças, e dando aos filhos aquele toque e cuidado protetor especial que vocês são unicamente capacitadas para dar.
  11. Que vocês não assumam que o emprego secular é um desafio maior ou um melhor uso da sua vida que as oportunidades incontáveis de serviço e testemunho no lar, na vizinhança, comunidade, igreja e no mundo. Que não proponham somente a pergunta: Carreira vs. Mãe em tempo integral? Mas que perguntem tão seriamente: Carreira em tempo integral vs. Liberdade para o ministério? Que vocês perguntem: O que seria maior para o Reino - ser empregado de alguém que lhe diga o que você deve fazer para seu negócio prosperar, ou ser um agente livre de Deus, sonhando o seu próprio sonho sobre como seu tempo, seu lar e sua criatividade poderiam fazer o negócio de Deus prosperar? E que em tudo isso você faz suas escolhas não sobre a base de tendências seculares ou expectativas de estilo de vida, mas sobre a base do que fortalecerá a sua família e promoverá a causa de Cristo.
  12. Que vocês parem e (com seus maridos, se forem casadas) planejem as várias formas da sua vida ministerial em capítulos. Os capítulos são divididos por várias coisas - idade, força, solteirismo, casamento, escolha de emprego, crianças no lar, crianças na escola, netos, aposentadoria, etc. Nenhum capítulo é tudo alegria. A vida finita é uma série de permutas. Encontrar a vontade de Deus, e viver para a glória de Cristo plenamente em cada capítulo é o que faz dele um sucesso, não se ele se parece com o capítulo de outra pessoa ou se tem nele o que o capítulo cinco terá.
  13. Que vocês desenvolvam uma mentalidade e um estilo de vida guerreiro; que nunca se esqueçam que a vida é breve, que milhões de pessoas estão entre o céu e o inferno todos os dias, que o amor ao dinheiro é suicídio espiritual, que os objetivos de mobilidade ascendente (roupas chiques, carros, casas, férias, comidas, hobbies) são um substituto pobre para os objetivos de viver para Cristo com toda a sua força, e maximizar sua alegria no ministério ao ajudar pessoas.
  14. Que em todos os seus relacionamentos com os homens vocês procurem a direção do Espírito Santo ao aplicar a visão bíblica da masculinidade e feminilidade; que vocês desenvolvam um estilo e comportamento que faça justiça ao papel único que Deus deu aos homens para serem responsáveis pela liderança graciosa com relação às mulheres - uma liderança que envolve elementos de proteção, cuidado e iniciativa. Que vocês pensem criativamente e com sensibilidade cultural (assim como ele deve fazer) ao moldar o estilo e ajustar o tom de sua interação com os homens.
  15. Que vocês vejam a direção bíblica para o que é apropriado e inapropriado para os homens e mulheres em relação uns para com os outros, não como restrições arbitrárias sobre a liberdade, mas como prescrições sábias e graciosas de como descobrir a verdadeira liberdade do ideal de complementaridade de Deus. Que vocês não mensurem sua potencialidade pelas poucas funções restringidas, mas pelas incontáveis oferecidas.

Fonte: Desiring God
Tradução: Desiring God
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terça-feira, 14 de agosto de 2012

6 Marcas de um Pastor Atemorizado Diante de Deus




Paul Tripp é o presidente de Paul Tripp Ministries, organização sem fins lucrativos cujo slogan de missão é "Conectando o poder transformador de Jesus Cristo à vida diária". É também professor de vida e cuidado pastoral no Redeemer Seminary, em Dallas (Texas), e diretor executivo do Center for Pastoral life and Care, em Fort Worth (Texas). É casado há muitos anos com Luella, e têm quatro filhos adultos.

Quais os sinais que se produzem no coração de um pastor atemorizado diante de Deus, que são vitais para um ministério eficaz, produtivo e que honra a Deus?

1. Humildade
Não há nada que se compare ao estar indefeso diante da maravilhosa glória de Deus, para colocar-lhe em seu devido lugar, para corrigir a maneira com que você se vê pessoalmente, para arrancar-lhe da sua arrogância funcional, e para tirar-lhe o vento das velas da sua justiça própria. Diante de Sua glória, eu me sinto despido, sem qualquer glória que ainda possa restar-me a fim de que eu possa exibir-me diante de outros. Enquanto eu me compare com outros, poderei sempre encontrar outra pessoa cuja existência parece fazer-me, por comparação, mais justo. Mas se eu comparar meus panos imundos ao puro linho, eternamente sem manchas, da justiça de Deus, eu correria a esconder-me com um coração dilacerado e envergonhado.

E isto foi o que aconteceu com Isaías no capítulo seis. Ele está diante do majestoso trono da glória de Deus e diz: "Ai de mim! Estou perdido! Porque sou um homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos." (Isaías 6:5). Isaías não está falando aqui em termos de uma formal hipérbole religiosa. Ele não está buscando tornar-se agradável diante de Deus por mostrar-se "ó, tão humilde". Não; Isaías aprendeu que só à luz da colossal glória e santidade de Deus, é que você poderá ter uma visão exata e correta de si mesmo e entender a profunda necessidade de ser resgatado com o resgate que só a graça gloriosa de Deus poderá prover-lhe.

Com o correr do tempo durante sua vida ministerial, muitos pastores chegam a se esquecerem de quem são eles. Têm uma visão inchada, destorcida, grandiosa de si mesmos, que os mantêm altamente inacessíveis, e que lhes permitem justificar seus pensamentos, seus desejos, as coisas que dizem, e a fazerem aquilo que, biblicamente, não é justificável fazer. Eu já "estive lá" e, de quando em quando, caio outra vez no mesmo erro. Em ocasiões como essas, eu tenho que ser resgatado de mim mesmo. Quando você está sobremodo maravilhado de si mesmo, você se posiciona para ser hipócrita, controlador, super confiante, e um autocrata eclesiástico extremamente crítico. Você, inadvertidamente, constrói um reino em cujo trono você mesmo se assenta, não importa o quanto afirme que tudo o que você faz, o faz para a glória de Deus.

2. Sensibilidade
A humildade, que só este sentir atemorizante de Deus pode produzir no meu coração, cria em mim, sensibilidade pastoral para com as pessoas que carecem da mesma graça. Ninguém pode compartilhar graça melhor do que aquele que está profundamente convencido de que ele mesmo necessita esta graça, e a recebe de Cristo. Esta sensibilidade me faz afável, gentil, paciente, compreensivo e esperançoso diante do pecado alheio, sem nunca comprometer o chamamento santo de Deus. Protege-me de estimativas como "... não acredito que você pudesse fazer uma coisa dessas!," o que, diga-se, me faz essencialmente diferente de todos os demais. É difícil apresentar o Evangelho a alguém, quando você está contemplando esse alguém, com superioridade. Confrontar os pecados dos outros com uma sensibilidade inspirada em meu assombro diante Deus, me livra de ser um agente de condenação, ou de esperar que a lei cumpra aquilo que somente a graça pode cumprir, e me motiva a ser um instrumento dessa graça.

3. Paixão
Não importa o que está funcionando, ou o que não está funcionando bem em meu ministério, não importa quais as dificuldades que eu esteja vivendo, ou tampouco importa as lutas pelas quais eu esteja passando, a influente glória de Deus me anima a levantar-me pela manhã e fazer aquilo para o qual fui dotado e chamado para fazer, e faze-lo com entusiasmo, coragem e confiança. Minha alegria não se deixa maniatar pelas circunstâncias ou pelos relacionamentos, e meu coração não é tomado por qualquer direção em que ditas circunstâncias e relacionamentos o queiram levar. Tenho toda razão para alegrar-me porque sou um filho escolhido, e um servo recrutado pelo Rei dos reis, e Senhor dos senhores, o grande Criador, o Salvador, e meu Chefe. Ele está sempre perto e é sempre fiel. Minha paixão pelo ministério não depende de como eu esteja sendo recebido. Minha paixão flui da realidade de que eu fui recebido por Ele. Não me entusiasmo porque as pessoas possam gostar de mim, mas porque Ele me tem aceitado e me tem enviado. Não estou apaixonado por meu ministério, por ser, o ministério, algo glorioso, mas sim porque Deus é eternamente e imutavelmente glorioso. Assim eu prego, ensino, aconselho, lidero e sirvo com uma paixão evangélica que inspire e acenda o mesmo sentir naqueles ao meu redor.

4. Confiança
Confiança - aquele sentimento de bem-estar e de capacitação, me vem de conhecer Aquele a quem sirvo. Ele é minha confiança e minha habilidade. Ele nunca irá chamar-me para uma tarefa para a qual não me tenha capacitado. Ele tem mais zelo pela saúde de sua igreja do que eu jamais poderia ter. Ninguém tem maior interesse no uso dos meus dons do que Aquele que me outorgou ditos dons. Ele está sempre presente e sempre de boa vontade. Ele é todo-poderoso e todo omnisciente. Ele é ilimitado em amor e glorioso em sua graça. Ele não muda; para sempre é fiel. Sua Palavra nunca cessará de ser a verdade. Seu poder para salvar nunca será exaurido. Seu governo nunca deixará de existir. Nunca será conquistado por algo maior do que Ele mesmo. Assim, eu posso fazer com confiança tudo o que Ele me chamou para fazer, não em virtude de quem eu seja, mas porque Ele é o meu Pai, e é glorioso em todos os aspectos, em todos o sentidos.

5. Disciplina
O ministério pastoral, nem sempre é glorioso. Muitas vezes as suas expectações ingénuas, são apenas isso – ingenuidade. E algumas vezes se levará mais do que um ministério de sucesso e a apreciação do povo para arrancar-lhe da cama e cumprir o seu chamado. Outras vezes você não verá muitos frutos como o resultado de seus esforços e tampouco terá muitas esperanças de uma colheita breve e abundante. Algumas vezes você se verá traído e se sentirá sozinho. Então, a sua disciplina precisa estar arraigada em alguma coisa mais profunda do que sua avaliação horizontal de como as coisas pareçam estar caminhando. Eu estou cada vez mais convencido, em minha própria vida, de que uma auto-disciplina robusta e firme, do tipo essencial para um ministério pastoral, está solidificada na adoração. A gloriosa existência de Deus, Seu caráter, Seu plano, Sua presença, Suas promessas e Sua graça, me fornecem a motivação para trabalhar com ardor e nunca desistir, sem importar-me se estamos vivendo sob um tempo de amenidade, ou se estamos sob uma época tempestuosa.

6. Repouso
Finalmente, enquanto contemplo minha própria fraqueza e os distúrbios da igreja local, o que poderá trazer verdadeiro repouso ao meu coração? A Glória! Esta lhe dará repouso. É o conhecimento de que nada é tão difícil para o Deus a quem você serve. É a segurança de que todas as coisas são possíveis para Ele. É saber, como Abraão, que Aquele que fez todas aquelas promessas, é fiel para cumpri-las. Ainda que pareça haver múltiplas razões no nível horizontal para fazer-nos ansiosos, eu não permitirei que meu coração seja raptado por preocupação ou medo, porque o Deus de inestimável glória, que me tem enviado, Ele mesmo prometeu: "Eu serei contigo." Eu não tenho que fazer joguinhos mentais comigo mesmo. Eu não tenho que negar, nem minimizar a realidade a fim de que me sinta bem, porque Ele já tem invadido minha existência com Sua glória, e eu posso descansar até mesmo, e de certa forma, no conceito truncado do "já" e do "não ainda" cumprido e realizado.

Recuperando nossa perplexidade diante de Deus
Em conclusão, eu não tenho uma fórmula de estratégias para lhe oferecer. Mas lhe aconselho a correr agora, e correr rapidamente ao seu Pai de aterrorizante glória. Confesse a ofensa do seu tédio ministerial. Ore e peça por olhos abertos aos 360 graus, 24 horas por dia, 7 dias por semana, para que você veja a exibição da glória à qual você tem estado cego. Determine-se dedicar uma porção de cada dia para meditar na glória de Deus. Clame, busque com vigor a ajuda de outros e lembre-se de estar agradecido por Jesus quem lhe oferece Sua graça, mesmo ainda naqueles momentos quando essa graça não é, nem no mínimo, gloriosamente valiosa para você como deveria ser.

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terça-feira, 31 de julho de 2012

A Maldição do Homem Moderno


A. W. Tozer

Existe uma maldição antiga que permanece conosco até hoje — a disposição da sociedade humana de ser completamente absorvida por um mundo sem Deus.


Embora Jesus Cristo tenha vindo a este mundo, este é o pecado supremo dos incrédulos, o qual levou o homem a não sentir — nem sentirá — a presença dEle que permeia todas as coisas. O homem não pode ver a verdadeira Luz, tampouco pode ouvir a voz do Deus de amor e verdade.

Temos nos tornado uma sociedade “profana” — completamente envolvida em nada mais do que os aspectos físico e material desta vida terrena. Homens e mulheres se gloriam do fato de que são capazes de viver em casas luxuosas, vestir roupas de estilistas famosos e dirigir os melhores carros que o dinheiro pode comprar — coisas que as gerações anteriores nunca puderam ter.

Esta é a maldição que jaz sobre o homem moderno — ele é insensível, cego e surdo em sua prontidão de esquecer que existe um Deus. Aceitou a grande mentira e crença estranha de que o materialismo constitui a boa vida. Mas, querido amigo, você sabe que o seu grande pecado é este: a presença eterna de Deus, que alcança todas as coisas, está aqui, e você não pode senti-Lo de maneira alguma, nem O reconhece no menor grau? Você não está ciente de que existe uma grande e verdadeira Luz que resplandece intensamente e que você não pode vê-la? Você não tem ouvido, em sua consciência e mente, uma Voz amável sussurrando a respeito do valor e importância eterna de sua alma, mas, apesar disso, tem dito: “Não ouço nada?”

Muitos homens imprudentes e inclinados ao secularismo respondem: “Bem, estou disposto a agarrar minhas chances”. Que conversa tola de uma criatura frágil e mortal! Isto é tolice porque os homens não podem se dar ao luxo de agarrar as suas chances — quer sejam salvos e perdoados, quer sejam perdidos. Com certeza, esta é a grande maldição que jaz sobre a humanidade de nossos dias — os homens estão envolvidos de tal modo em seu mundo sem Deus, que recusam a Luz que agora brilha, a Voz que fala e a Presença que permeia e muda os corações.

Por isso, os homens buscam dinheiro, fama, lucro, fortuna, entretenimento permanente ou apego aos prazeres. Buscam qualquer coisa que lhes removam a seriedade do viver e que os impeça de sentir que há uma Presença, que é o caminho, a verdade e a vida.

Eu mesmo fui ignorante até aos 17 anos, quando ouvi, pela primeira vez, a pregação na rua e entrei numa igreja onde ouvi um homem citando uma passagem das Escrituras: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim... e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11. 28,29).

Eu era realmente pouco melhor do que um pagão, mas, de repente, fiquei muito perturbado, pois comecei a sentir e reconhecer a graciosa presença de Deus. Ouvi a voz dEle em meu coração falando indistintamente. Discerni que havia uma Luz resplandecendo em minhas trevas.

Novamente, andando pela rua, parei para ouvir um homem que pregava, em um cantinho, e dizia aos ouvintes: “Se vocês não sabem orar, vão para casa, ajoelhem-se e digam: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Isso foi exatamente o que eu fiz. E Deus prometeu perdoar e satisfazer qualquer pessoa que estiver com bastante fome espiritual e muito interessado, a ponto de clamar: “Senhor, salva-me!”

Bem, Ele está aqui agora. A Palavra, o Senhor Jesus Cristo, se tornou carne e habitou entre nós; e ainda está entre nós, disposto e capaz de salvar. A única coisa que alguém precisa fazer é clamar com um coração humilde e necessitado: “ó Cordeiro de Deus, eu venho a Ti; eu venho a Ti!”

domingo, 22 de julho de 2012

POR QUE OS CRISTÃOS FOGEM DAS MISSÕES?


Fernando Paulo e 
Missionária Fernanda de Abreu Ferreira

Fernando Paulo Ferreira

“Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. Mas Jonas levantou-se a fim de fugir de diante da face do Senhor para Társis. Desceu a Jope, onde achou um navio que ia para Társis. Pagou sua passagem, e embarcou nele, a fim de ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor” (Jonas 1:2,3)

A atitude de Jonas pode ser comparada a de muitos cristãos hoje em dia. Ninguém quer pregar a palavra num lugar onde o pecado abunda, mas preferem fazer turismo onde a ganância abunda.

Por que fazem isso? É porque no lugar para onde o Senhor nos manda ir não tem o conforto com que estamos acostumados. Não querem ir a um lugar onde falta eletricidade, onde faltam lojas de conveniência, onde teríamos que nos hospedar em casas simples de pobres mortais, como nós.

Nestes lugares a palavra de Deus ainda não chegou, e muitos cristãos não querem ter essa responsabilidade de pregar e mudar a vida dos seus moradores, levando-lhes o básico da educação, das melhores condições de vida, do alimento diário da Palavra e da presença de Deus entre eles.

Muitos de nós, cristãos, preferimos doar ofertas para que alguém faça isso por nós.  Mas a ordem de Deus de ir e pregar o evangelho é para todos, sem distinção. Deus chamou Jonas, mas Jonas não quis ir, preferiu ir a Társis, uma cidade próspera na época, onde podia-se passear, conviver com beberrões, prostitutas e outros pecadores. Mas Deus mostrou a Jonas quem dá a ordem. Ele mandou a tempestade, revelou aos marinheiros a causa da tempestade e eles jogaram Jonas ao mar e tudo se acalmou, convertendo-se ao Deus vivo. Nesse ponto, a desobediência de Jonas deu frutos, mas a ordem de Deus ainda estava de pé: “Vá a Nínive!”

E Jonas foi, desgostoso, como uma criança que é obrigada pela mãe a fazer o que não quer. Mas ele foi, pregou a palavra do Senhor na cidade de Nínive, onde habitavam cento e vinte mil almas que não sabiam discernir entre o certo e o errado. E eles se arrependeram. E Jonas ainda tinha a esperança de que Deus destruísse os habitantes daquela cidade, pois eram pecadores.

E como Jonas, muitos cristãos consideram os não cristãos mais pecadores do que nós e nos recusamos a levar a palavra de arrependimento a eles. Tornamos-nos pecadores piores ao agirmos assim. Isso porque estamos desobedecendo a uma ordem direta de Deus.

Todos os finais de semana, início de férias e vésperas de feriadões, muitos cristãos pegam a estrada a fim de fugir de diante da face do Senhor e ir a praias, resorts, fazendas e montanhas, a fim de esticar as pernas, deitar na grama, tomar banho de mar, desfrutando das maravilhas que Deus criou, mesmo sabendo que em vários lugares há pessoas que precisam de uma palavra de conforto, aconselhamento, repreensão e orações.  Podem dizer que temos o direito de descansar, eu concordo. Mas teríamos muito mais satisfação em obedecer a palavra de Deus, indo e fazendo algo de que Deus se agrada.

Descanso não falta para quem faz a vontade de Deus. Afinal, a obra de Deus não é penosa. Não exige esforço, não nos prende a escritórios. A obra de Deus é ir a lugares onde falta alimento espiritual, o qual nós temos de sobra, onde falta conforto espiritual, que nós também temos de sobra e dividir com as pessoas desses lugares. Essas pessoas sentirão alivio. E Nós sentiremos prazer por ter lhes proporcionado e compartilhado aquilo que Deus nos deu.

Não devemos nos preocupar com o conforto dos lugares distantes, podemos levar barracas, nos hospedar em casas de outros cristãos ou ainda em escolas. Pois Deus que é rico em misericórdias, não nos deixará faltar nenhuma dessas coisas e providenciará tudo o que necessitamos.

Nas minhas próximas férias, irei à cidade de Maturéia, no Sertão da Paraíba, onde minha esposa está trabalhando na obra do Senhor. Ela aceitou o desafio de obedecer à palavra de Deus e não fugiu para a praia, para as montanhas e nem para as fazendas. Ela foi onde as pessoas são mais necessitadas, onde a palavra de Deus é escassa, onde a idolatria impera.

E Deus a está recompensando com muitas riquezas espirituais, saúde, força e habilidade de pregar a palavra.

E você? Que fará nas próximas férias?

Finalizo, com as palavras de Deus ditas a Jonas:

“Disse o Senhor: Tiveste compaixão da aboboreira que não te custou trabalho, a qual não fizeste crescer. Numa noite ela nasceu, e numa noite pereceu. Mas em Nínive há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a esquerda, e também muito gado. Não hei de eu ter compaixão dessa grande cidade?”

Fernando Paulo Ferreira
22/07/2012

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A soberania de Deus na salvação



Rev. Hernandes Dias Lopes

Como pode um homem sendo pecador ser salvo? Como pode um injusto ser declarado justo aos olhos do Deus santo? Como pode o homem tão vulnerável ter garantia de salvação? Paulo responde a essas questões quando escreve sua carta aos romanos. Vamos, tratar aqui de cinco afirmações categóricas que nos afirmam a soberania de Deus na salvação.

Em primeiro lugar, Deus nos conheceu desde a eternidade (Rm 8.29). Deus nos conheceu de antemão. Ele nos amou desde toda a eternidade. Amou-nos não porque viu algo em nós que despertasse seu amor, mas amou-nos incondicionalmente. Antes do sol brilhar no horizonte, Deus já havia colocado em nós seu coração. Antes dos mundos estalares virem à existência, nós já estávamos no coração de Deus. Seu amor por nós é eterno, incomensurável e incondicional.


Em segundo lugar, Deus nos predestinou para a salvação (Rm 8.30). Deus nos predestinou em Cristo, para a salvação, antes da fundação do mundo, desde o princípio, pela santificação do Espírito e fé na verdade, a fim de sermos santos e irrepreensíveis perante ele. Deus não nos escolheu porque previu que iríamos crer em Cristo; cremos em Cristo porque ele nos escolheu. A escolha divina é a causa da fé e não sua consequência. Deus não nos escolheu porque viu em nós santidade; fomos eleitos para sermos santos e irrepreensíveis e não porque éramos santos e irrepreensíveis. A santidade não é a causa da eleição, mas seu resultado. Deus não nos escolheu porque viu em nós boas obras; somos feitura dele, criados em Cristo Jesus, para as boas obras, e não porque praticávamos boas obras. As boas obras são fruto da escolha divina e não sua raiz.


Em terceiro lugar, Deus nos chamou eficazmente (Rm 8.30). Todos aqueles que são escolhidos por Deus na eternidade, por quem Cristo morreu no calvário, são chamados à salvação, e chamados eficazmente. O homem pode até resistir temporariamente a esse chamado, mas não finalmente. Jesus disse que ninguém pode vir a ele se o Pai não o trouxer. Disse, também, que suas ovelhas ouvem sua voz e o seguem. Os que Deus predestina, Deus chama. Há dois tipos de chamados: um externo e outro interno; um dirigido aos ouvidos e outro ao coração. Aqueles que são predestinados, ao ouvirem a voz do bom pastor, atendem-na e o seguem.


Em quarto lugar, Deus nos justificou por sua graça (Rm 8.30). Aqueles que são amados, escolhidos e chamados são também justificados. A justificação é uma obra de Deus por nós e não em nós; é um ato e não um processo. É uma declaração forense feita diante do tribunal de Deus e não uma infusão da graça. É completa e irrepetível. Por isso, não possui graus. O menor crente está tão justificado quanto o indivíduo mais piedoso. Pela obra substitutiva e vicária de Cristo na cruz somos declarados quites com as demandas da lei de Deus. Não pesa sobre nós mais nenhuma condenação. Nossos pecados passados, presentes e futuros já foram julgados na pessoa de Cristo, nosso substituto e fiador. Nossos pecados foram colocados na conta de Cristo e a justiça de Cristo foi colocada em nossa conta. Estamos quites com todas as demandas da justiça divina.


Em quinto lugar, Deus nos glorificou pelo seu poder (Rm 8.30). Embora a glorificação seja um fato futuro, que se dará na segunda vinda de Cristo, na mente e nos decretos de Deus já é um fato consumado. Mesmo que o caminho seja estreito e juncado de espinhos. Mesmo que os inimigos nos espreitem e toda a fúria de Satanás seja despejada contra nós, nada nem ninguém, neste mundo ou mesmo no porvir poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Nossa salvação foi planejada, executada, aplicada e assegurada por Deus. A Deus, portanto, a glória, agora e sempre por tão grande salvação!

Fonte: Boletim nº 159 (recebido por e-mail)

domingo, 1 de julho de 2012

Evangelização, a urgência de uma tarefa




Rev. Hernandes Dias Lopes


Jesus concluiu sua obra na cruz. Triunfou sobre o diabo e suas hostes e levou sobre si os nossos pecados. Agora, comissiona sua igreja a levar essa mensagem ao mundo inteiro. O projeto de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, a toda criatura, em todo o mundo. Três verdades devem ser destacadas sobre a evangelização. 

1. A evangelização é ordem de Deus. O mesmo Deus que nos alcançou com a salvação, comissiona-nos a proclamar a salvação pela graça mediante a fé em Cristo. Todo alcançado é um enviado. Deus nos salvou do mundo e nos envia de volta ao mundo, como embaixadores do seu reino. Jesus disse para seus discípulos que assim como o Pai o havia enviado, também os enviava ao mundo. Isso fala tanto de estratégia como de ação. Jesus não trovejou do céu palavras de salvação; ele desceu até nós. A Palavra se fez carne; o Verbo de Deus vestiu pele humana. A evangelização não é uma tarefa centrípeta, para dentro; mas centrífuga, para fora. Não são os pecadores que vêm à igreja, mas é a igreja que vai aos pecadores. Deus tirou a igreja do mundo (no sentido ético) e a enviou de volta ao mundo (no sentido geográfico). Não podemos nos esconder, confortavelmente, dentro dos nossos templos. Precisamos sair e ir lá fora, onde os pecadores estão. Jesus, antes de voltar ao céu e derramar seu Espírito, deu a grande comissão aos seus discípulos. Essa grande comissão está registrada nos quatro evangelhos e também no livro de Atos. Não evangelizar é um pecado de negligência e omissão. Na verdade, é uma conspiração contra uma ordem expressa de Deus.


2. A evangelização é tarefa da igreja. Nenhuma outra entidade na terra tem competência e autoridade para evangelizar, exceto a igreja. A igreja é o método de Deus. Não podemos nos calar nem nos omitir. Se o ímpio morrer na sua impiedade, sem ouvir o evangelho, Deus vai requer de nós, o sangue desse ímpio. Em 1963, quando John Kennedy foi assassinado em Dalas, no Texas, em doze horas, a metade do mundo ficou sabendo de sua morte. Jesus Cristo, o Filho de Deus, morreu na cruz, pelos nossos pecados, há dois mil anos e, ainda, quase a metade do mundo, não sabe dessa boa notícia. O que nos falta não é comissionamento, mas obediência. O que nos falta não é conhecimento, mas paixão. O que nos falta não é método, mas disposição. Encontramos o Messias, e não temos anunciado isso às outras pessoas. Encontramos o Caminho e não temos avisado isso aos perdidos. Encontramos o Salvador e não proclamamos isso aos pecadores. Encontramos a vida eterna e não temos espalhado essa maior notícia aos que estão mortos em seus delitos e pecados. Precisamos erguer nossos olhos e ver os campos brancos para a ceifa. Precisamos ter visão, paixão e compromisso. Precisamos investir recursos, talentos e a nossa própria vida nessa causa de consequências eternas. 


3. A evangelização é uma necessidade do mundo. O evangelho de Cristo é o único remédio para a doença do homem. O pecado é uma doença mortal. O pecado é pior do que a pobreza. É mais grave do que o sofrimento. É mais dramático do que a própria morte. Esses males todos, embora sejam tão devastadores, não podem afastar o homem de Deus. Mas, o pecado afasta o homem de Deus no tempo, na história e na eternidade. Não há esperança para o mundo fora do evangelho. Não há salvação para o homem fora de Jesus. As religiões se multiplicam, mas a religião não pode levar o homem a Deus. As filosofias humanas discutem as questões da vida, mas não têm respostas que satisfazem a alma. As psicologias humanas levam o homem à introspecção, mas nas recâmaras da alma humana não há uma fresta de luz para a eternidade. O mundo precisa de Cristo; precisa do evangelho. Chegou a hora da igreja se levantar, no poder do Espírito Santo e proclamar que Cristo é o Pão do céu para os famintos, a Água viva para os sedentos e a verdadeira Paz para os aflitos. Jesus é o Salvador do mundo!


Fonte: Boletim nº 157 (recebido por e-mail)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Não Confunda Conhecimento e Sucesso com Maturidade



Paul Tripp


Paul Tripp é o presidente de Paul Tripp Ministries, organização sem fins lucrativos cujo slogan de missão é "Conectando o poder transformador de Jesus Cristo à vida diária". É também professor de vida e cuidado pastoral no Redeemer Seminary, em Dallas (Texas), e diretor executivo do Center for Pastoral life and Care, em Fort Worth (Texas). É casado há muitos anos com Luella, e têm quatro filhos adultos.

Eu não somente cedi à tentação de permitir que o ministério pastoral se tornasse a minha identidade, mas também cai em duas outras tentações.

Deixei a proficiência bíblica e o conhecimento teológico definirem minha maturidade. No ministério, é muito fácil admitir uma redefinição sutil, mas importante, do que é e do que faz a maturidade espiritual. Essa definição tem suas raízes no que pensamos sobre o que é o pecado e o que ele faz. Muitos pastores têm a falsa definição de maturidade que resulta da aculturação acadêmica do seminário.

O seminário tende a academizar a fé, torná-la um mundo de ideias que precisam ser dominadas, por isso os alunos aceitam facilmente a crença de que maturidade bíblica se refere à precisão de conhecimento teológico e à proficiência bíblica. Todavia, maturidade espiritual não é algo que você faz como sua mente (embora isso seja um elemento importante). Maturidade diz respeito ao modo como vivemos. É possível ser teologicamente perspicaz e imaturo. É possível conhecer muito bem a Bíblia e ser necessitado de crescimento espiritual significativo.

Graduei-me com honras no seminário. Ganhei prêmios acadêmicos. Eu imaginava que era maduro e sentia-me mal compreendido e mal interpretado por todos que não compartilhavam de meu discernimento. De fato, vi aqueles momentos de confrontação como perseguição que um indivíduo enfrenta quando se dedica ao ministério do evangelho. Em essência, eu entendia de modo errado o pecado e a graça. O pecado não é, em primeira instância, um problema intelectual. O pecado é, primeiramente, um problema moral. É minha rebelião contra Deus, minha busca para ter, para mim mesmo, a glória de Deus. O pecado não é, principalmente, uma quebra de um conjunto abstrato de regras. É, ante de tudo, a quebra do relacionamento com Deus. Visto que eu quebrei este relacionamento, é natural e fácil que eu me rebele contra Deus.

Portanto, não é apenas a minha mente que precisa ser renovada pelo ensino bíblico correto, meu coração também precisa ser resgatado pela poderosa graça do Senhor Jesus Cristo. O resgate de meu coração é tanto um evento (justificação) como um processo (santificação). O seminário não resolve o meu problema mais profundo – o pecado. Pode contribuir para a solução, mas pode também cegar-me para a verdadeira condição por sua tendência de redefinir maturidade. Maturidade bíblica nunca diz respeito ao que sabemos, mas sempre ao modo como a graça emprega o que chegamos a saber para transformar a nossa maneira de viver.

Pense em Adão e Eva. Eles não desobedeceram a Deus porque eram intelectualmente ignorantes dos mandamentos de Deus. Ultrapassaram conscientemente os limites estabelecidos por Deus, porque buscaram a posição de Deus. A guerra espiritual do Éden foi travada no campo dos desejos do coração. Considere Davi. Ele não tomou Bate-Sabe para si e planejou livrar-se de seu marido porque ignorava as proibições de Deus contra adultério e assassinato. Agiu porque, em algum momento, não se importou com o que Deus queria. Davi teria o que seu coração desejava, não importando o custo.

Ou pense o que significa ser sábio. Há enorme diferença entre conhecimento e sabedoria. Conhecimento é um entendimento exato da verdade. Sabedoria é entender e viver à luz de como a verdade se aplica às situações e aos relacionamentos de nossa vida diária. Conhecimento é o exercício de nosso cérebro. Sabedoria é o compromisso de nosso coração que leva à transformação da vida.

Embora eu não o soubesse, entrei no ministério pastoral com uma ideia não bíblica sobre maturidade bíblica. De uma maneira que agora me assusta, eu pensava que minha posição era certa. Por isso, quando minha esposa, Luella, me confrontava com amor e fidelidade, o fato é que eu não estava apenas sendo defensivo. E me convenci de que ela tinha um problema. Costumava usar meu conhecimento bíblico e teológico para defender a mim mesmo. Eu era um desastre e não tinha ideia disso.

Sucesso não é necessariamente uma aprovação

Confundi sucesso no ministério com aprovação de Deus quanto ao meu viver. O ministério pastoral era estimulante, em muitas maneiras. A igreja estava crescendo numericamente, e as pessoas pareciam crescer em sua vida espiritual. Pareciam cada vez mais comprometidas em ser parte de uma comunidade espiritual vibrante. E vimos pessoas vencerem batalhas do coração com a graça de Deus. Fundamos uma escola cristã que estava crescendo e expandindo sua reputação e influência.

Nem tudo era tranquilidade. Houve momentos dolorosos e árduos, mas eu começava meus dias com o senso de que Deus me chamara para cumprir este ministério. Estava liderando uma comunidade de fé, e Deus estava abençoando nossos esforços. Mas usei essas bênçãos da maneira errada. Sem saber que eu o estava fazendo, tomei a fidelidade de Deus para mim, para seu povo, para a obra de seu reino, para seu plano de redenção e para sua igreja como uma aprovação de mim mesmo. Minha perspectiva dizia: "Eu sou um dos caras bons, e Deus está por trás de mim em tudo isso". De fato, eu diria para Luella (isto é embaraçador, mas preciso admitir): se eu fosse um cara tão mau, por que Deus estaria abençoando tudo em que ponho as mãos?

Deus não estava agindo porque aprovava minha maneira de viver, e sim por causa de seu zelo por sua própria glória e sua fidelidade às promessas de graça para seu povo. Deus tem autoridade e poder para usar qualquer instrumento que ele escolhe, da maneira que escolhe. O sucesso no ministério é sempre mais uma afirmação sobre Deus do que uma afirmação sobre as pessoas que ele usa para cumprir seus propósitos. Entendi tudo errado. Tomei daquilo que eu não podia fazer o crédito que eu não merecia. Fiz tudo girar em torno de mim; por isso, não me via como alguém destinado ao desastre e em profunda necessidade do regate da graça de Deus. Eu era um homem que necessitava de graça resgatadora. Por meio da fidelidade de Luella e das perguntas perscrutadoras de meu irmão, Tedd, Deus fez exatamente isso.

E quanto a você? Como você vê a si mesmo? O que diz com regularidade a respeito de si mesmo? É diferente daqueles aos quais você ministra? Vê a si mesmo como um ministro da graça necessitado da graça? Está acomodado com as desconexões entre o evangelho que você prega e a sua maneira de viver? Há desarmonias entre seu ministério público e os detalhes de sua vida particular? Você encoraja em sua igreja um nível de comunidade ao qual você mesmo não se dedica? Não crer que alguém possa ter uma visão mais exata a seu respeito do que você mesmo? Usa o conhecimento ou a experiência para manter-se longe de confrontação?

Não tenha medo do que você é em seu coração. Não precisa temer ser conhecido; porque não existe nada em você que poderia ser exposto que já não foi coberto pelo precioso sangue de seu Salvador e Rei, Jesus.


Traduzido por: Wellington Ferreira
Editor: Tiago Santos
Copyright © Paul Tripp
Copyright © Editora FIEL 2012.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

sábado, 2 de junho de 2012

Matando a Ira



John Piper

No casamento, a ira rivaliza com a lascívia como um assassino. Minha opinião é que a ira é um inimigo pior do que a lascívia. A ira também destrói outros tipos de camaradas. Algumas pessoas têm mais ira do que pensam, porque ela tem disfarces. Quando a força de vontade esconde a raiva, a ira queima no íntimo, e os dentes da alma rangem com frustração. Ela pode manifestar-se em lágrimas que parecem tristeza. Mas o coração tem aprendido que esta talvez seja a única maneira de revidar a tristeza causada.

A ira pode se manifestar em silêncio, porque temos resolvido não lutar. Pode se mostrar em críticas severas e correção implacável. Pode atingir pessoas que não têm nada a ver com a origem da ira. Ela sempre se sentirá justificada pelo erro da causa. Afinal de contas, Jesus ficou irado (Mc 3.5), e Paulo disse: "Irai-vos e não pequeis" (Ef 4.26).

No entanto, a boa ira entre pessoas caídas é rara. Foi por isso que Tiago disse: "Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus" (Tg 1.19-20). Paulo também disse: "Os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade" (1 Tm 2.8); e: "Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia" (Ef 4.31).

Portanto, uma das maiores lutas da vida é a luta para manter "longe de nós a ira", e não apenas para controlar suas expressões. Para ajudá-lo nesta luta, eis aqui nove armas.

Primeira, pondere os direitos de Cristo de ficar irado, mas, depois, considere como ele suportou a cruz como um exemplo de longanimidade: "Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos" (1 Pe 2.21).

Segunda, pondere quanto você tem sido perdoado e quanta misericórdia lhe tem sido mostrada. "Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou" (Ef 4.32).

Terceira, pondere sua própria pecaminosidade e tire a trave de seu próprio olho. "Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão" (Mt 7.3-5).

Quarta, pense em como você não quer dar lugar ao Diabo, porque ira abrigada no íntimo é aquela coisa que a Bíblia diz explicitamente que abre a porta e o convida a entrar: "Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo" (Ef 4.26-27).

Quinta, pondere a tolice de seu próprio autossofrimento, ou seja, os numerosos efeitos prejudiciais da ira para aquele que está irado - alguns espirituais, alguns mentais, alguns físicos e alguns relacionais. "Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal; será isto saúde para o teu corpo e refrigério, para os teus ossos" (Pv 3.7-8).

Sexta, confesse seu pecado de ira para algum amigo de confiança, bem como ao ofensor, se possível. Esta é uma importante atitude de cura: "Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo" (Tg 5.16).

Sétima, permita que sua ira seja a chave para destrancar os calabouços do orgulho e da autopiedade em seu coração e substituí-los por amor: "O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1 Co 13.4-7).

Oitava, lembre que Deus operará todas as coisas para o seu bem, enquanto você confia na graça futura. Seu ofensor pode até lhe fazer o bem, se você reagir com amor: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8.28). "Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes" (Tg 1.2-4).

Nona, lembre que Deus vindicará sua causa justa e acertará todas as coisas melhor do que você poderia fazê-lo. Ou seu ofensor pagará no inferno, ou Cristo já pagou por ele. Seu revide seria risco dobrado ou uma ofensa para a cruz. "Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor" (Rm 12.19). "Ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente" (1 Pe 2.23).

Que matemos nossa ira e lutemos por alegria e amor cada dia.

www.desiringgod.org



Editor: Tiago Santos
Copyright © 2012 John Piper / Desiring God Ministries
Copyright © 2012 Editora Fiel

Copyright © 2012 John Piper / Desiring God Ministries
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Traduzido por: Wellington Ferreira
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