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domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Verdadeiro Amor



John MacArthur

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master's College and Seminary e do ministério "Grace to You"; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos.

"Tudo o que você precisa é de amor", assim cantavam os Beatles. Se eles tivessem cantado sobre o amor de Deus, a frase revelaria uma certa verdade. Mas aquilo que a cultura popular diz ser amor, não se trata, na verdade, de um amor autêntico, é antes uma verdadeira fraude. Longe de ser "tudo o que precisa", é algo que deve evitar a todo o custo.

O apóstolo Paulo fala-nos sobre esse tema em Efésios 5:1-3. Ele escreveu: "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados. E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Mas a prostituição, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos".

A simples ordem do verso 2 ("E andai em amor, como também Cristo vos amou") resume toda a obrigação moral do cristão. No fundo, o amor de Deus é o único princípio que define completamente o dever do cristão, e este tipo de amor é exatamente "tudo o que você precisa". Romanos 13:8 diz, "porque quem ama aos outros cumpriu a lei". Os mandamentos resumem-se a estas palavras: "Amarás o próximo como a ti mesmo, já que o amor é o cumprimento da lei." Gálatas 5:14 ecoa a mesma verdade: "Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." Da mesma maneira Jesus ensinou que toda a lei e profetas dependem de dois princípios básicos sobre o amor – o primeiro e o segundo mandamentos (Mt. 22:38-40). Em outras palavras: "e, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição." (Cl 3:14).

Quando o apóstolo Paulo nos diz para caminhar no amor, o contexto revela-se em aspectos positivos, pois ele fala-nos sobre sermos bons uns para os outros, misericordiosos e que nos perdoemos uns aos outros (Ef. 4:32). O modelo de tal amor, mais centrado nos outros que em si próprio, é Cristo, que se entregou para nos salvar dos nossos pecados. "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos." (João 15:13). E "amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros." (1 João 4:11).

Em outras palavras, o amor verdadeiro é sempre um sacrifício, uma entrega de nós mesmos, é misericordioso, compassivo, compreensivo, amável, generoso e paciente. Estas e muitas outras qualidades positivas e benignas (ver 1 Co. 13:4-8) são as que as Sagradas Escrituras associam ao amor divino.

Mas reparemos no lado negativo, também visto no contexto de Efésios 5. Aquele que ama os outros verdadeiramente, como Cristo nos ama, deve recusar todo o tipo de amor falso. O apóstolo Paulo nomeia algumas destas falsidades satânicas. Elas incluem a imoralidade, a impureza e a ganância. A passagem continua: "Nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais seus companheiros." (Ef 5:4–7).

A imoralidade é, talvez, o substituto favorito do amor na nossa atual geração. O apóstolo Paulo usa o termo grego porneia, o qual significa todo o tipo de pecado sexual. A cultura popular tenta desesperadamente desvanecer a linha que separa o amor verdadeiro da paixão imoral. Mas tal imoralidade é uma perversão total do amor verdadeiro, porque procura a autogratificação em vez do bem aos outros. A impureza é outra perversão diabólica do amor. O apóstolo Paulo emprega aqui o termo akatharsia, o qual se refere a todo o tipo de imoralidade sexual e impureza. Especificamente, ele refere-se à sujidade, à impureza e à ganância, que são as características particulares do companheirismo com mal. Este tipo de companheirismo não tem nada a ver com o amor verdadeiro, e o apóstolo afirma claramente que não tem lugar para ele no caminho do cristão.

A ganância é outra corrupção do amor que tem origem no desejo narcisista de autogratificação. É exatamente o oposto do exemplo que Cristo deu quando "se entregou por nós" (v. 2). No verso 5, o apóstolo Paulo compara a ganância à idolatria. Também isto não tem lugar no caminho do cristão e, de acordo com o verso 5, a pessoa culpada de tal pecado "não tem herança no Reino de Cristo e de Deus."

E tais pecados, diz o apóstolo Paulo, "nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos." (v. 3). "Portanto, não sejais seus companheiros", ou seja, daqueles que praticam tais coisas, diz-nos o verso 7.

Em outras palavras, não demonstraremos amor verdadeiro a não ser que sejamos intolerantes com todas as perversões populares do amor.

Hoje em dia, a maioria das conversas sobre o amor ignora este princípio. "O amor" foi redefinido como uma ampla tolerância que ignora o pecado e que abraça o bem e o mal de igual forma. Mas isso não é amor, é apatia.

O amor de Deus não tem nada a ver com isso. Lembra-te que a mais suprema manifestação do amor de Deus é a Cruz, sinal que Cristo "vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave." (V. 2). A Sagrada Escritura explica o amor de Deus em termos de sacrifício, de arrependimento pelos pecados cometidos e de reconciliação: "Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados." (1 João 4:10). Em outras palavras, Cristo converteu-se em sacrifício para desviar a ira de um Deus ofendido. Longe de perdoar os nossos pecados com uma tolerância benigna, Deus deu o seu Filho como uma oferta pelo pecado para satisfazer a sua própria ira e justiça na salvação dos pecadores. Este é o coração do Evangelho. Deus manifesta o seu amor de uma forma que confirma a sua santidade, justiça e misericórdia sem compromisso. O amor verdadeiro "não folga com a injustiça, mas folga com a verdade." (1 Co. 13:6). Este é o tipo de amor, no qual fomos chamados para caminhar. É um amor que primeiro é puro e depois, harmonioso.

Fonte: The Gospel Coalition

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Fonte: http://editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=465

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Nos últimos meses, cristãos sofreram ataques seguidos na Índia



Irritados e agressivos, extremistas hindus restringiram o acesso à água e ameaçaram cortar o fornecimento de rações alimentares caso os cristãos não interrompessem os cultos de adoração a Deus
A calma e a paz estão cada vez mais precárias a 20 milhas a leste (aproximadamente 32 km) da maior cidade da Índia. Ali, em uma vila rural, hindus atacaram cristãos por duas vezes unicamente por causa de sua fé em Jesus. Em decorrência à violência, as vítimas comprometeram-se a cancelar as reuniões que aconteciam em uma sala de oração.
O primeiro ataque ocorreu em 30 de dezembro, quando cristãos tribais da etnia Adivasi, que vivem na aldeia de Tamsai, encontraram-se para um culto na Igreja Yehovah Nisih Prayer. Durante a celebração, cerca de 20 hindus invadiram o local, conforme narrou um membro da igreja, Bharat Patel.
"Ao entrarem, os extremistas gritaram que não há lugar para reuniões cristãs na aldeia e, se quiséssemos orar a Deus, devíamos nos mudar para Mumbai. Eles rasgaram Bíblias e quebraram nossos instrumentos musicais antes de nos bater com brutalidade", relatou Patel.
Segundo o cristão, sua orelha esquerda ficou bastante ferida, enquanto três outros membros também sofreram ferimentos graves: um deles, um corte na cabeça. O assalto de uma hora de duração só terminou com a intervenção de líderes cristãos da área, que recolheram as vítimas e as levaram até a polícia para relatar o incidente.
Em 13 de janeiro, a autoridades policiais organizaram um encontro entre os cristãos e os hindus envolvidos no caso. Os extremistas concordaram em cessar o boicote social aos cristãos, restaurar seu acesso à água e outros serviços comunitários.
Por sua vez, "os cristãos concordaram em realizar reuniões de oração em suas casas, apesar de possuírem os registros necessários para o funcionamento da igreja e a sala de oração", disse o secretário geral de um fórum cristão local, Joseph Dias, à Portas Abertas.

A trégua durou um diaEm 14 de janeiro, às duas horas da tarde, três mulheres cristãs estavam lavando roupa em um poço público. Perto dali, uma menina de 12 anos de idade carregava um telefone celular, no qual estava tocando uma música gospel.
Diante dessa situação, alguns moradores iniciaram um protesto alegando que "essas músicas não deveriam estar no limite de sua faixa de audição", contou Dias. Nesse mesmo dia, mais tarde, cerca de 50 pessoas concentraram-se próximas às casas das três mulheres, chamando-as para fora. De acordo com Patel, ao saírem, elas foram terrivelmente agredidas.
A mãe da menina, que estava entre a multidão que atacava as mulheres, correu para ajudá-la e também foi espancada, disse Patel. Uma das mulheres sofreu contusões e escoriações por todo o corpo e seu rosto ficou inchado. As outras duas sofreram ferimentos leves.
Joseph Dias também informou que os cristãos foram atacados em Tamsai porque os extremistas hindus não aprovam suas atividades de adoração a Deus, incluindo serviços de cura. Os cristãos, disse ele, se recusam a participar do culto aos ídolos hindus e, mediante a isso, alguns hindus têm descoberto a verdadeira graça que só o Senhor pode dar. Ore pelo fortalecimento desses novos irmãos e pela segurança do Corpo de Cristo na Índia.
FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag

http://www.portasabertas.org.br/noticias/2013/02/2042788/

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A morte de uma Igreja




Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas-SP e doutor em Ministério pelo Reformed Theological Seminary em Jackson, Mississippi, nos Estados Unidos. Foi pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Bragança Paulista no período de 1982 a 1984 e desde 1985 é o pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória-IPB. Hernandes é conferencista e escritor de mais de 70 obras. É casado com Udemilta Pimentel Lopes e pai de Thiago e Mariana.

As sete igrejas da Ásia Menor, conhecidas como as igrejas do Apocalipse, estão mortas. Restam apenas ruínas de um passado glorioso que se foi. As glórias daquele tempo distante estão cobertas de poeira e sepultadas debaixo de pesadas pedras. Hoje, nessa mesma região tem menos de 1% de cristãos. Diante disso, uma pergunta lateja em nossa mente: o que faz uma igreja morrer? Quais são os sintomas da morte que ameaçam as igrejas ainda hoje?

Em primeiro lugar, a morte de uma igreja acontece quando ela se aparta da verdade. Algumas igrejas da Ásia Menor foram ameaçadas pelos falsos mestres e suas heresias. Foi o caso da igreja de Pérgamo e Tiatira que deram guarida à perniciosa doutrina de Balaão e se corromperam tanto na teologia como na ética. Uma igreja não tem antídoto para resistir a apostasia quando abandona sua fidelidade às Escrituras nem a inevitabilidade da morte quando se aparta dos preceitos de Deus. Temos visto esses sinais de morte em muitas igrejas na Europa, América do Norte e também no Brasil. Algumas denominações históricas capitularam-se tanto ao liberalismo como ao misticismo e abandonaram a sã doutrina. O resultado inevitável foi o esvaziamento dessas igrejas por  um lado ou o seu crescimento numérico por outro, mas um crescimento sem compromisso com a verdade e com a santidade. Não podemos confundir numerolatria com crescimento saudável. Nem sempre uma multidão sinaliza o crescimento saudável da igreja. Uma igreja pode ser grande e mesmo assim estar gravemente enferma. Sempre que uma igreja troca o evangelho da graça por outro evangelho, entra por um caminho desastroso.

Em segundo lugar, a morte de uma igreja acontece quando ela se mistura com o mundo. A igreja de Pérgamo estava dividida entre sua fidelidade a Cristo e seu apego ao mundo. A igreja de Tiatira estava tolerando a imoralidade sexual entre seus membros. Na igreja de Sardes não havia heresia nem perseguição, mas a maioria dos crentes estava com suas vestiduras contaminadas pelo pecado. Uma igreja que flerta com o mundo para amá-lo e conformar-se com ele não permanece. Seu candeeiro é apagado e removido. Alguém disse: "Fui procurar a igreja e a encontrei no mundo; fui procurar o mundo e o encontrei na igreja". A Palavra de Deus é clara: ser amigo do mundo é constituir-se inimigo de Deus. Quem ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Há pouca ou quase nenhuma diferença hoje entre o estilo de vida daqueles que estão na igreja e daqueles que estão comprometidos com os esquemas do mundo. O índice de divórcio entre os cristãos é tão alto como daqueles que não professam a fé cristã. O número de jovens cristãos que vão para o casamento com uma vida sexual ativa é quase o mesmo daqueles que não frequentam uma igreja evangélica. A bancada evangélica no Congresso Nacional é conhecida como a mais corrupta da política brasileira. A teologia capenga produz uma vida frouxa. Precisamos voltar aos princípios da Reforma e clamar por um reavivamento!

Em terceiro lugar, a morte de uma igreja acontece quando ela não discerne sua decadência espiritual. A igreja de Sardes olhava-se no espelho e dava nota máxima para si mesma, dizendo ser uma igreja viva, enquanto aos olhos de Cristo já estava morta. A igreja de Laodicéia considerava-se rica e abastada, quando na verdade era pobre e miserável. O pior doente é aquele que não tem consciência de sua enfermidade. Uma igreja nunca está tão à beira da morte como quando se vangloria diante de Deus pelas suas pretensas virtudes. O cristão não deve ser um fariseu. O fariseu aplaudia a si mesmo por causa de suas virtudes, mas olhava para os publicanos e os enchia de acusações descaridosas. O cristão verdadeiro não é aquele que faz um solo do hino "Quão grande és tu" diante do espelho, mas aquele chora diante de Deus por causa de seus pecados.

Em quarto lugar, a morte de uma igreja acontece quando ela não associa a doutrina com a vida. A igreja de Éfeso foi elogiada por Jesus pelo seu zelo doutrinário, mas foi repreendida por ter abandonado seu primeiro amor. Tinha doutrina, mas não vida; ortodoxia, mas não ortopraxia; teologia boa, mas não vida piedosa. Jesus ordenou a igreja a lembrar-se de onde tinha caído, a arrepender-se e a voltar à prática das primeiras obras. Se a doutrina é a base da vida, a vida precisa ser a expressão da doutrina. As duas coisas não podem viver separadas. Doutrina sem vida produz orgulho e aridez espiritual; vida sem doutrina desemboca em misticismo pagão. Uma igreja viva tem doutrina e vida, ortodoxia e piedade, credo e conduta!

Em quinto lugar, a morte de uma igreja acontece quando falta-lhe perseverança no caminho da santidade. As igrejas de Esmirna e Filadélfia foram elogiadas pelo Senhor e não receberam nenhuma censura. Mas, num dado momento, nas dobras do futuro, essas igrejas também se afastaram da verdade e perderam sua relevância. Não basta começar bem, é preciso terminar bem. Falhamos, muitas vezes, em passar o bastão da verdade para a próxima geração. Um recente estudo revela que a terceira geração de uma igreja já não tem mais o mesmo fervor da primeira geração. É preciso não apenas começar a carreira, mas terminar a carreira e guardar a fé! É tempo de pensarmos: como será nossa igreja nas próximas gerações? Que tipo de igreja deixaremos para nossos filhos e netos? Uma igreja viva ou igreja morta?

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Fonte: http://editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=455

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Um Evangelho que Devemos Conhecer e Tornar Conhecido


Paul Washer
Paul Washer obteve seu M.Div. no Southwestern Theological Seminary. Serviu como missionário no Peru por 10 anos. Fundou a sociedade missionária HeartCry, através da qual iniciou suas atividades de plantação de igrejas no Peru. Atualmente apóia o trabalho missionário em mais de 20 países da América do Sul, Europa, África, Ásia e Oriente Médio. Paul é casado com Charo, com quem tem 3 filhos: Ian, Evan e Rowan.
"Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei..." 1 Coríntios 15.1

Um escritor ou pregador do evangelho teria muita dificuldade para elaborar uma introdução melhor ao evangelho de Jesus Cristo do que esta introdução dada pelo apóstolo Paulo à igreja de Corinto.1 Nestas poucas linhas, Paulo nos oferece verdades suficientes para vivermos durante toda a vida e conduzir-nos à glória. Somente o Espírito Santo poderia capacitar um homem a dizer tanto, com tanta clareza, em tão poucas palavras.

Conhecendo o evangelho
Nesta pequena passagem das Escrituras, achamos uma verdade que tem de ser redescoberta por todos nós. O evangelho não é apenas uma mensagem de introdução ao cristianismo. Ele é "a" mensagem do cristianismo; e o crente fará muito bem se gastar sua vida em procurar "conhecer" a glória do evangelho e em "tornar conhecida" esta glória. Há muitas coisas a conhecermos neste mundo e inúmeras verdades a serem investigadas na esfera do cristianismo, mas o glorioso evangelho de nosso Deus bendito2 e de seu Filho, Jesus Cristo, é superior a todas elas. É a mensagem de nossa salvação, o instrumento de nosso progresso na santificação e a fonte cristalina da qual flui toda motivação pura e correta para a vida cristã. O crente que compreende algo do conteúdo e do caráter do evangelho nunca terá falta de zelo, nunca será tão necessitado que buscará forças em cisternas rotas e vazias feitas pelas mãos de homens.3


De nosso texto, entendemos que o apóstolo Paulo já tinha pregado o evangelho à igreja de Corinto. De fato, ele era o pai espiritual daqueles crentes!4 Entretanto, Paulo viu a necessidade de continuar pregando-lhes o evangelho: não somente de recordar as suas verdades essenciais, mas também de ampliar o seu conhecimento. Na conversão deles, começaram uma jornada de descoberta que abrangeria toda a sua vida e se estenderia pelas eras intermináveis da eternidade – a descoberta das glórias de Deus revelada no evangelho de Jesus Cristo.





Como pregadores e congregantes, seríamos sábios se víssemos o evangelho novamente com os olhos deste apóstolo da antiguidade e o estimássemos como digno de uma vida inteira de investigação cuidadosa. Embora já tivéssemos vivido muitos anos na fé, embora possuíssemos o intelecto de Edwards e o discernimento de Spurgeon, embora pudéssemos entender toda publicação desde os pais na igreja primitiva, passando pelos reformadores e puritanos, até aos eruditos do tempo presente, estejamos certos de que ainda não atingimos nem mesmo os contrafortes deste Everest que chamamos de "evangelho". E isso será dito a nosso respeito mesmo depois de uma eternidade de eternidades!



Vivemos em mundo que nos oferece um número quase infinito de possibilidades, e existe um número incalculável de opções que rivalizam por nossa atenção. O mesmo pode ser dito sobre o cristianismo e a ampla esfera de temas teológicos que um aluno pode estudar. Há um número quase infinito de verdades bíblicas que um homem pode gastar a vida examinando-as. E mesmo o tema menos importante da Escritura é digno de milhares de vidas em seu estudo. Todavia, há um tema que se eleva sobre todos os demais e que é fundamental para o entendimento de todas as outras verdades bíblicas – o evangelho de Jesus Cristo. É por meio desta mensagem singular que o poder de Deus se manifesta na igreja e na vida do crente individual.




Quando examinamos os anais da história do cristianismo, vemos homens e mulheres de paixão incomum por Deus e por seu reino. Anelamos ser como eles e nos perguntamos como chegaram a possuir um zelo tão duradouro. Depois de uma consideração diligente de sua vida, doutrina e ministério, descobrimos que eles diferiram em muitas coisas, mas tiveram um denominador comum entre si. Todos eles tiveram um vislumbre da glória do evangelho, e sua beleza acendeu a paixão deles e os impulsionou a prosseguir. A vida e o legado deles provam que paixão genuína e duradoura resulta de um entendimento cada vez mais crescente e mais profundo do que Deus fez por seu povo na pessoa e na obra de Jesus Cristo! Não há substituto para esse conhecimento!




O evangelho cristão tem sido designado como "evangelho", uma palavra que vem do latim evangellium, que significa boas novas. Esta é a razão por que os crentes são muitas vezes chamados de evangélicos. Somos "evangélicos" porque cremos no evangelho e o estimamos como a verdade primordial e central da revelação de Deus para os homens. O evangelho não é um prefácio, um provérbio ou uma explicação posterior. Não é meramente a classe de introdução ao cristianismo, e sim todo o curso de estudo do cristianismo. É a história de nossa vida, as insondáveis riquezas que procuramos explorar e a mensagem que vivemos para proclamar. Por esta razão, podemos dizer que somos mais cristãos e mais evangélicos quando o evangelho de Jesus Cristo é a nossa única esperança, o nosso único motivo de orgulho e a nossa única e maior obsessão.




Hoje, são realizadas tantas conferencias no âmbito do evangelicalismo, especialmente para jovens, que têm o objetivo de estimular a paixão dos crentes por meio de música, comunhão, palestrantes eloquentes, histórias emocionais e apelos comoventes. Contudo, o entusiasmo que tais conferências produzem, seja ele qual for, desaparece rapidamente. Pequenos fogos foram acessos em pequenos corações e se acabam em poucos dias. Temos esquecido que paixão genuína e duradoura nasce do conhecimento da verdade e, em específico, a verdade do evangelho. Quanto mais "conhecemos" e compreendemos a beleza do evangelho, tanto mais somos tomados por seu poder. Um vislumbre do evangelho moverá o coração verdadeiramente regenerado a segui-lo. Cada vislumbre maior do evangelho acelerará o seu passo, até que ele esteja correndo resolutamente em direção ao prêmio.5 A essa beleza o coração verdadeiramente cristão não pode resistir. Esta é a grande necessidade do momento! É o que temos perdido e o que temos de obter novamente – uma paixão por conhecer o evangelho e uma paixão idêntica por torná-lo conhecido.

Tornando conhecido o evangelho
Não seria um exagero dizer que o apóstolo Paulo foi um dos maiores instrumentos humanos do reino de Deus, na história da humanidade e na história da redenção. Ele foi responsável pela propagação do evangelho em todo o Império Romano durante um tempo de perseguição incomparável e permanece como um exemplo do que significa ser um ministro cristão. No entanto, ele fez tudo isto por meio da proclamação simples da mensagem mais escandalosa de todas que já chegaram aos ouvidos dos homens. Ao considerarmos a vida do apóstolo Paulo, notamos que ele foi um homem excepcionalmente dotado, em especial no que concerne ao seu intelecto e zelo. Todavia, ele mesmo nos ensinou que o poder de seu ministério não estava em seus dons, mas na proclamação fiel do evangelho. Em sua primeira carta dirigida aos cristãos de Corinto, Paulo escreveu sua grande resignação:

Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo.6


Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.7



Podemos dizer que o apóstolo Paulo foi, acima de tudo, um pregador! Como Jeremias antes dele, Paulo foi constrangido a pregar. O evangelho era como um fogo ardente encerrado em seus ossos, que ele não podia suportar.8 Aos cristãos de Corinto, Paulo declarou: "Eu cri; por isso, é que falei"9 e: "Ai de mim se não pregar o evangelho!"10 Essa estimativa tão elevada do evangelho e de pregá-lo não pode ser fingida, quando não existe no coração do pregador, e não pode ser ocultada, quando existe. Deus chama diferentes tipos de homens para levarem o fardo da mensagem do evangelho. Alguns deles são mais solenes e sérios, enquanto outros são mais desatentos e joviais, porém, quando a conversa muda para o assunto do evangelho, uma mudança ocorre no semblante do pregador, e parece que você tem diante de si uma pessoa muito diferente. A eternidade está estampada na face dele, o véu foi removido, e a glória do evangelho brilha com uma paixão genuína. Tal homem tem pouco tempo para histórias fantásticas, antídotos morais ou para compartilhar pensamentos vindos de seu coração. Ele veio para pregar e tem de pregar! Não descansará enquanto seu povo não ouvir a mensagem de Deus. Se o servo Eliezer não pôde comer enquanto não entregou a mensagem de seu senhor, Abraão,11 quanto menos um pregador do evangelho ficará tranquilo enquanto não houver entregado o tesouro do evangelho que lhe foi confiado!12


Embora poucos discordem do que escrevi até aqui, parece que, de modo geral, a pregação apaixonada do evangelho está fora de moda. Ela é considerada por muitos como algo que não possui o requinte e a sofisticação necessários para que seja eficaz nesta era moderna. O pregador cheio de paixão que proclama ousada e categoricamente a verdade é agora considerado um obstáculo para o homem pós-moderno que prefere um pouco mais de humildade e de abertura para com outras opiniões. O argumento da maioria é que temos de mudar nossa maneira de pregar porque o evangelho parece loucura para o mundo.


Essa atitude para com a pregação é prova de que perdemos nosso senso de direção na comunidade evangélica. Foi Deus quem ordenou que a "loucura da pregação" seja o instrumento para levar ao mundo a mensagem salvadora do evangelho.13 Isto não significa que a pregação deve ser tola, ilógica ou bizarra. Contudo, o padrão pelo qual toda pregação deve ser comparada é a Escritura e não as opiniões contemporâneas de uma cultura decaída e corrupta, que é sábia a seus próprios olhos14 e prefere ter seus ouvidos coçados e seu coração entretido a ouvir a Palavra do Senhor.15




Aonde quer que o apóstolo Paulo viajasse, ele pregava o evangelho. Faremos bem se seguirmos o seu exemplo. Embora o evangelho possa ser compartilhado por meio de instrumentos, não há outro instrumento tão ordenado por Deus como a pregação. Portanto, aqueles que estão buscando constantemente meios inovadores para compartilharem o evangelho com uma nova geração de pessoas interessadas fariam bem se começassem e terminassem sua busca nas Escrituras. Aqueles que enviam milhares de questionários que perguntam aos nãos convertidos o que eles mais gostariam de ver em um culto de adoração devem compreender que as inúmeras opiniões de homens carnais não possuem a autoridade de "um i ou um til" da Palavra de Deus.16 Precisamos entender que há um grande abismo de diferenças irreconciliáveis entre o que Deus ordena nas Escrituras e o que a cultura carnal contemporânea deseja.





Não devemos nos admirar de que homens carnais tanto dentro como fora da igreja desejem teatro, música e mídia no lugar da pregação do evangelho e da exposição bíblica. Enquanto o coração de um homem não for verdadeiramente regenerado, ele aborda o evangelho da mesma maneira como os demônios gadarenos abordaram o Senhor Jesus Cristo: "Que temos nós contigo?"17 Sem a obra de regeneração realizada pelo Espírito Santo, o homem carnal não tem nenhum interesse ou apreciação verdadeira pelo evangelho, mas, apesar disso, este milagre é operado no coração de um homem por meio da pregação do evangelho que, a princípio, ele desdenha. Portanto, devemos pregar aos homens carnais a própria mensagem que eles não querem ouvir, e o Espírito Santo deve agir! Sem isto, os pecadores não podem ver a beleza do evangelho, assim como porcos não podem ver beleza em pérolas, ou como cães não podem mostrar reverência para com carne santificada, ou como cegos não podem apreciar uma pintura de Rembrandt.18 Os pregadores não fazem bem aos homens carnais por oferecer-lhes as coisas que seu coração caído deseja, e sim por colocar diante deles a verdadeira comida,19 até que, pela obra miraculosa do Espírito Santo, reconheçam-na como o que ela realmente é, provem e vejam que o Senhor é bom!20




Antes de terminar esta breve discussão sobre a pregação do evangelho, temos de falar sobre um assunto final. Apresenta-se frequentemente a teoria de que nossa cultura não pode tolerar o tipo de pregação que foi tão eficaz durante os grandes despertamentos e avivamentos do passado. A pregação de Jonathan Edwards, George Whitefield, Charles Spurgeon e outros pregadores semelhantes seria ridicularizada, satirizada e escarnecida pelo homem moderno. No entanto, esta teoria não leva em conta o fato de que estes mesmos pregadores foram ridicularizados e satirizados pelos homens de seus dias! A verdadeira pregação do evangelho será sempre "loucura" para toda cultura. Qualquer tentativa de remover a ofensa do evangelho e de tornar a pregação "conveniente" diminui o poder do evangelho. Também frustra o propósito para o qual Deus escolheu a pregação como o meio de salvar homens – que a esperança dos homens não esteja em nobreza, eloquência ou sabedoria mundana, e sim no poder de Deus.21



Vivemos numa cultura que está presa ao pecado com algemas de aço. Histórias morais, máximas extraordinárias e lições de vida compartilhadas de um coração de um palestrante querido ou de um "tutor de vida espiritual" não têm nenhum poder verdadeiro contra essas trevas. Precisamos de pregadores do evangelho de Jesus Cristo, que conhecem as Escrituras e são capacitados, pela graça de Deus, a encarar qualquer cultura e a clamar: "Assim diz o Senhor!"


1 - 1 Coríntios 15.1-4.
2 - 1 Timóteo 1.11.
3 - Jeremias 2.13-14; 14.3.
4 - 1 Coríntios 4.15.
5 - Filipenses 3.13-14.
6 - 1 Coríntios 1.17. 
7 - 1 Coríntios 1.22-24.
8 - Jeremias 20.9.
9 - 2 Coríntios 4.13.  
10 - 1 Coríntios 9.16.
11 - Gênesis 24.33. 
12 - Gálatas 2.7; 1 Tessalonicenses 2.4; 1 Timóteo 1.11; 6.20; 2 Timóteo 1.14; Tito 1.3.
13 - 1 Coríntios 1.21.
14 - Romanos 1.22.
15 - 2 Timóteo 4.3.
16 - Mateus 5.18.
17 - Mateus 8.29.
18 - Mateus 7.6.
19 - Isaías 55.1-2.
20 - Salmos 34.8.
21 - 1 Coríntios 1.27-30.


O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Fonte: http://editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=454

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Restaura, Senhor, a nossa sorte


Rev. Hernandes Dias Lopes

É tempo de fazer um balanço. Devemos olhar para trás com gratidão, para o presente com súplicas e para o futuro com esperança. O Salmo 126 ajuda-nos nesse exercício.

Em primeiro lugar, devemos olhar para o passado com gratidão (Salmo 126.1-3). Depois de setenta anos de escravidão na Babilônia, Israel voltou à sua terra. Deus tirou o povo do cativeiro com mão forte e poderosa. Essa libertação produziu ditosa exultação entre o povo e impacto entre as nações. Quando olhamos, também, para o passado, notamos que Deus nos tirou da escravidão para a liberdade, das trevas para a luz e da morte para a vida. Deus quebrou o nosso jugo e despedaçou nossas algemas. Jesus Cristo redimiu-nos de um terrível cativeiro. Éramos escravos do diabo, do mundo e da carne. Vivíamos debaixo de cruel opressão. Porém, Cristo nos libertou e hoje somos livres. Pertencemos à família de Deus. Somos herdeiros de Deus e estamos assentados com Cristo nas regiões celestes, acima de todo principado e potestade. Há um cântico em nossos lábios e uma festa em nossa alma.

Em segundo lugar, devemos olhar para o presente com súplicas (Salmo 126.4). O salmista voltou os olhos do passado para o presente e percebeu que as vitórias do ontem não servem para nos manter de pé hoje. O mesmo salmista que estava exultante com a libertação do cativeiro, agora, ao contemplar a realidade presente, clama: "Restaura, Senhor, a nossa sorte com as torrentes do Negueve". O passado de glória tinha se transformado num deserto cinzento. As vitórias do passado não eram suficientes para torná-lo vitorioso no presente. Todo o dia é tempo de andar com Deus. Todo dia é tempo de ser cheio do Espírito. Não podemos viver do passado nem morar na saudade. Precisamos depender de Deus a todo tempo, o tempo todo. Mais do que isso, é preciso saber que não temos forças para restaurar nossa própria sorte. Só Deus pode restaurar nossa vida. Só Deus pode aprumar nossos joelhos trôpegos. Só Deus pode nos encher de entusiasmo, quando nossa alma parece um deserto árido. Aprendemos com isso, porém, que a crise não é o fim da linha. A sequidão de nossa vida não deve nos levar ao desespero, mas à súplica ardente. A consciência da crise espiritual pode nos levar aos pés do Senhor para uma virada bendita em nossa história. Somente o Senhor tem poder para nos restaurar. Só dele vem a nossa cura. Essa restauração é uma obra milagrosa. Assim como os rios invernais rasgam as areias escaldantes do deserto do Negueve, o maior deserto da Judéia, Deus também, faz nossa alma florescer em tempos de sequidão. Ele mesmo nos concede um novo vigor espiritual e transforma nossos vales em mananciais cheios de vida!

Em terceiro lugar, devemos olhar para o futuro com esperança (Salmo 126.5,6). Depois de olhar para o passado com gratidão e para o presente com súplicas, o salmista, agora, olha para o futuro com esperança. O amanhã será de semeadura e investimento. A semeadura exige desinstalação e ação. É preciso sair para semear. A semeadura exige abnegação e sacrifício, pois além de sair, o semeador anda e chora, regando o solo duro com suas lágrimas. Se a semeadura é regada de lágrimas, a colheita certa é feita com júbilo. A recompensa da colheita é maior do que o sacrifício da semeadura. Fazer a obra de Deus é investir para a eternidade. É realizar um trabalho de consequências eternas. Não devemos afrouxar nossos braços nessa bendita peleja. É hora de arregaçarmos as mangas e trabalharmos com mais fervor. O tempo urge. A noite se aproxima. Então, não haverá mais tempo de semear. Hoje, Deus nos convoca para sermos seus cooperadores. Concede-nos a graça de investirmos nosso tempo, bens, talentos e dons em seu trabalho. Portanto, levantemo-nos, irmãos, e coloquemo-nos a seu dispor. O Deus da nossa salvação e da nossa restauração, agora, nos alista em seu trabalho. Mãos à obra, sem esmorecer. Lança a semente, com a certeza de que o crescimento, Deus mesmo nos dará.


Fonte: Boletim 171 (recebido por e-mail)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Hereges são pessoas legais que ganham o ouvido e enganam o coração!




Por Josemar Bessa

Por que foi tão difícil para Paulo e os outros apóstolos combaterem os falsos mestres em seus dias?

Muitas pessoas esperam que aqueles que deturpam e torcem as verdades bíblicas sejam pessoas não amáveis, sem simpatia, sem carisma... Paulo disse aos coríntios: “E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz.” - 2 Coríntios 11:14 - “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo”. 2 Coríntios 11:3

Em toda a história da igreja homens que propagaram heresias destruidoras eram amáveis, simpáticos, falavam em amor ao próximo, se empenhavam em caridade... hoje é assim como sempre foi. Podemos ensinar doutrinas antibíblicas enquanto falamos em ajuda aos pobres, missão integral, igreja relevante... Na verdade, todas as religiões podem falar sobre temas simpáticos, agradáveis, caridosos... sendo mesmo assim o oposto da revelação bíblica. Podemos passar horas lendo Confúcio, Budismo... Mas nossa questão aqui são heresias que saem da igreja, de líderes na igreja, simpáticos, caridosos... Paulo quando fala sobre líderes que ensinam doutrinas heréticas e desviam homens da verdade, diz: “e com suaves palavras e lisonjas (bajulações) enganam os corações dos simples.” - Romanos 16:18

Falsos mestres são simpáticos, amáveis e adoram falar sobre amor. Mas o amor que é proposto é um tipo de amor completamente diferente do que a Bíblia ensina. É um sentimentalismo que põe a verdade de lado em nome do que chamam amor. Qualquer amor que é destrutivo para a verdade total do evangelho (com todo seu lado ofensivo ao homem natural), qualquer amor que ignora a verdade e a vê como um obstáculo, chamando-a de dogmatismo... qualquer amor que é tolerante com o erro ou propaga o erro... tem que ser completamente evitado e combatido... porque isso não está nem próximo da essência daquilo que a Bíblia chama de amor. Toda conversa sobre amor, caridade, missão, união... que põe a verdade de lado é exatamente o trabalho dos falsos mestres, falsos profetas... Como é doce ouvir “paz, paz...” – “E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.” - Jeremias 6:14 É isso que Paulo enfatiza: “e com suaves palavras e lisonjas (bajulações) enganam os corações dos simples.” - Romanos 16:18

Na história da igreja homens que ensinaram doutrinas terríveis eram homens simpáticos e amáveis. Ário (Arius 256-336)  negava a divindade de Cristo. Ele defendia que o Logos e o Pai não eram da mesma essência, que o Filho era uma criação do Pai, que houve um tempo em que o Filho ainda não existia... Era um líder cristão em Alexandria. Mas é dito sobre ele que era um homem simpático, amável... Era descrito como  - brilhante, companheiro, atraente... um tipo de cidadão que todos gostariam de ter ao seu lado em causas nobres. Um tipo de homem que todos gostavam de ver ensinando a Bíblia... ele foi imensamente popular nos seus dias... Exatamente o que Paulo disse: “e com suaves palavras e lisonjas (bajulações) enganam os corações dos simples.” - Romanos 16:18

Outro homem que ensinou as mesmas heresias foi Socino (Fausto Socinus 1539-1604) – Seu ensino rejeitou os pontos de vista ortodoxos teologia cristã no conhecimento de Deus, sobre a doutrina da Trindade, divindade de Cristo , e na soteriologia... Mas ele em si era um cara legal e simpático, amável... Ele é descrito como um verdadeiro cavaleiro. Sua moral estava acima de qualquer suspeita e era conhecido por sua cortesia infalível. É descrito como muito mais cortês do que os Reformadores que viveram na mesma época, Calvino, Lutero... Enfim, Socino é descrito como homem exemplar.

Eis o motivo porque raramente é ou será popular combater e resistir os falsos mestres. Eis o motivo porque Paulo teve grandes problemas para combatê-los em Corinto, na igreja dos Gálatas, e em todas as outras igrejas. Falsos mestres, hereges... são amáveis, falam muito sobre o amor, em ajuda aos necessitados... são simpáticos, falam sobre “paz paz..” – então eles quase sempre são vistos como uma benção para a igreja. Eles sempre tem palavras cativantes. Eles são atenciosos. Eles falam o que muitos querem ouvir. Eles estão prontos a adaptar a verdade. Eles são cavaleiros... Então Paulo diz: “e com suaves palavras e lisonjas (bajulações) enganam os corações dos simples.” - Romanos 16:18

“Suaves palavras – A frase significa discurso suave. Eles sabem falar de forma inteligente. O diabo coloca os erros mais devastadores não na boca de hereges óbvios... ele não coloca esses erros na boca de homens que são um desastre para o objetivo dele. Palavra suaves e lisonjas. A palavra é eulogia, como elogio. É a ideia de uma eloquência falsa, mentiras bem escolhidas e que tem um som atraente e enganam o coração dos ingênuos,  é o que Paulo diz. Inteligente, eloquente, polido, de fala suave, elogiando, lisonjeiro, abraçando causas nobres... Ele ganha o ouvido e engana o coração.

Nunca, nunca será popular resistir falsos mestres na igreja, eles são vistos como benção e não tragédia!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Deus, a Igreja é o Israel Verdadeiro?



Keith Mathison
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Muitos crêem que as características doutrinárias definidoras do dispensacionalismo é sua escatologia singular. Certamente é a escatologia que ganha a maior atenção. Contudo, na realidade, a doutrina que define o dispensacionalismo, o seu sine qua non, é sua doutrina da igreja. O dogma fundamental é que a Igreja não é Israel. Essa declaração quer dizer várias coisas, mas a mais importante é o ensino dispensacionalista que a igreja, ou corpo de Cristo, consiste somente daqueles crentes salvos entre o Pentecoste e o Arrebatamento. Os santos do Antigo Testamento não são parte da Igreja, o corpo de Cristo. 

Parte da dificuldade em avaliar a distinção dispensacionalisata entre Israel e a Igreja é a falta de definições precisas na literatura dispensacionalista. Tanto “Israel” como “Igreja” são usados numa variedade de sentidos por todo o Novo Testamento, e dizer simplesmente que a Igreja não é Israel é uma simplificação grosseira. Obviamente, se queremos dizer por “Israel” o Estado político de Israel ou os judeus incrédulos, então a Igreja não é Israel. Mas visto que dentro da nação incrédula de Israel sempre houve um remanescente, um “Israel verdadeiro”, não é correto fazer uma declaração geral abrangente divorciando Israel da Igreja em todo sentido das palavras.

No Antigo Testamento, a nação incrédula tinha um remanescente de crentes nela. Esse Israel verdadeiro, que incluía homens tais como Davi e Daniel, eram aqueles que não eram circuncidados apenas na carne, mas também no espírito. Quando Cristo veio, vemos a distinção entre o Israel nacional e incrédulo e o Israel verdadeiro. Os escribas e fariseus eram geralmente parte do Israel nacional incrédulo. Os apóstolos eram parte do Israel verdadeiro. Em Pentecoste, quando quase todos concordam que um novo estágio na história redentora começou, o Israel verdadeiro, o remanescente do Israel nacional, era a igreja. Nas décadas e séculos vindouros, os gentios começaram a ser adicionados a esse Israel verdadeiro – a igreja, mas isso não mudou o fato que existia e existe uma continuidade entre o Israel do Antigo Testamento e a igreja do Novo Testamento. A Igreja não é o Israel nacional ou incrédulo. Mas a Igreja é o Israel verdadeiro, o remanescente do Israel nacional. Existem vários lugares na Escritura onde essa verdade é claramente ensinada. Aqui nos focaremos brevemente em três.

Romanos 11:11-24 ensina claramente a unidade dos crentes de todas as eras. A ilustração da oliveira nesta passagem é uma das seções melhores  conhecidas do livro de Romanos, mas seu significado nem sempre tem sido claro, especialmente para aqueles que separariam os crentes do Novo e do Antigo Testamento em corpos distintos. Existem quatro pontos principais neste texto da Escritura que são relevantes para o nosso tópico:

1. A oliveira cultivada é o Israel natural.
2. Os ramos naturais que foram cortados são os judeus incrédulos.
3. Os ramos bons que permanecem são os judeus crentes.
4. Os ramos bravos que são enxertados na oliveira boa são os gentios crentes.

A coisa mais importante a ser observada aqui é que existe apenas uma oliveira boa. No Antigo Testamento ela tinha contido tanto judeus incrédulos quanto crentes. Mas quando Cristo veio, os judeus incrédulos foram cortados, deixando apenas os judeus crentes. Crentes gentios estavam então, e ainda estão agora sendo enxertados nessa oliveira boa – o remanescente crente – o Israel verdadeiro. Fosse verdade o dispensacionalismo, a ilustração não faria sentido. Paulo não diz que Deus plantou uma oliveira completamente nova, na qual ele agora enxerta judeus e gentios crentes. Não, os judeus crentes continuaram ali onde estavam em sua relação pactual com Deus. Deus trouxe os crentes gentios para essa relação pactual já existente. O remanescente crente de Israel, o Israel verdadeiro, e a Igreja do Novo Testamento são um e o mesmo corpo de crentes. Esses crentes judeus e gentios são a oliveira boa.

Efésios 2:11-19 é uma passagem da Escritura que também tem importância especial para o nosso estudo. Neste texto, Paulo compara o estado anterior dos gentios em Cristo ao seu estado anterior à parte de Cristo. No versículo 12, Paulo lista cinco coisas que eram verdadeiras deles antes de se tornarem cristãos. Os crentes gentios estavam anteriormente:

1. Separados de Cristo.
2. Excluídos da comunidade de Israel.
3. Estranhos aos pactos da promessa.
4. Sem esperança.
5. Sem Deus no mundo.

Todas essas cinco coisas são mencionadas no tempo passado. Em outras palavras, todas as cinco eram verdadeiras dos gentios antes de sua fé em Cristo, e todas as cinco não mais eram verdade agora que os gentios tinham fé em Cristo. O que isso significa é que os crentes gentios estão agora:

1. Em Cristo.
2. Incluídos na comunidade de Israel.
3. Herdeiros dos pactos da promessa.
4. Com Esperança.
5. Com Deus no mundo.

De acordo com Paulo, todas essas coisas são agora verdade para os gentios crentes em Cristo.

Gálatas 3:16, 29 enfatiza a herança dos gentios nas promessas abraâmicas. Aprendemos nesses versículos que:

1. As promessas abraâmicas foram feitas a Abraão e sua semente
(v. 16).
2. Sua Semente é Cristo (v. 16).
3. Sua semente é também todos que pertencem a Cristo (v. 29).
4. Portanto, as promessas abraâmicas pertencem a Cristo e a
todos os que são seus (v. 29).

De acordo com Paulo, as promessas abraâmicas pertencem a todos que estão em Cristo e somente àqueles em Cristo. Visto que ele é o verdadeiro herdeiro, a verdadeira Semente, ninguém pode herdar as promessas à parte de Cristo. À parte da união com Cristo, nenhum judeu ou gentio tem qualquer reivindicação às promessas abraâmicas.

A distinção dispensacionalista entre dois povos de Deus é biblicamente indefensável. Todos os que são salvos estão em Cristo, e somente aqueles que estão em Cristo são salvos. Não existe outra forma de salvação à parte da união com Cristo no único corpo de Cristo, a igreja – o verdadeiro Israel de Deus.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A Autoridade Decrescente de Cristo nas Igrejas



A W Tozer (1897-1963)

[Este artigo foi publicado pela primeira vez no "The Alliance Witness" a 15 de maio de1963, apenas dois dias após a morte do Dr. Tozer. Ele foi, de certa forma, o seu discurso de despedida, pois expressava a preocupação que ia em seu íntimo.]

Este é o fardo em meu coração e embora não reivindique para mim mesmo qualquer inspiração especial, sinto porém que este é também o fardo do Espírito. Se conheço meu próprio coração é apenas o amor que me leva a escrever isto. O que deixo aqui por escrito não é o fermento ácido de alguém agitado por contendas com companheiros cristãos. Não houve conflitos. Não fui abusado, maltratado ou atacado por ninguém. Essas observações também não são fruto de experiências desagradáveis que tenha lido em minha associação com outros. Minha convivência com a igreja que frequento assim como cristãos de outras denominações sempre foram amigáveis, corteses e satisfatórias. Minha tristeza resulta simplesmente de uma condição que acredito achar-se quase universalmente presente nas igrejas. Penso que devo também reconhecer que eu também me encontro bastante envolvido na situação que deploro aqui. Como Esdras em sua poderosa oração intercessória incluiu-se entre os malfeitores, faço o mesmo. "Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a minha face, meu Deus: porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até os céus" (Ed 9:13). Qualquer crítica feita aqui a outros deve voltar-se contra mim. Eu também sou culpado. Isto está sendo escrito na esperança de que possamos todos voltar-nos para o Senhor nosso Deus e não pecar mais contra Ele. Permita que declare a causa do meu fardo:

Jesus Cristo não tem hoje quase nenhuma autoridade entre os grupos que se chamam pelo seu nome.

Não estou me referindo aqui aos católico-romanos, nem aos liberais, nem sequer aos cultos quase-cristãos. Refiro-me às igrejas protestantes em geral e incluo aquelas que protestam mais alto que não se acham num declive espiritual, afastando-se de nosso Senhor e seus apóstolos, a saber, os "evangélicos". Trata-se de uma doutrina básica do Novo Testamento que após a sua ressurreição o  Homem Jesus foi declarado por Deus como sendo Senhor e Cristo, e que Ele foi investido pelo Pai com absoluta soberania sobre a igreja que é o seu Corpo. Ele possui toda a autoridade no céu e na terra. Na hora oportuna Ele irá exercê-la plenamente, mas durante este período na história Ele permite que esta autoridade seja desafiada ou ignorada. E justamente agora ela está sendo desafiada pelo mundo e ignorada pela igreja. A posição atual de Cristo nas igrejas evangélicas pode ser comparada à de um rei numa monarquia limitada, constitucional. O rei (algumas vezes despersonalizado pelo termo "a Coroa") não passa em tal país de um símbolo agradável de unidade e lealdade, tal como uma bandeira ou hino nacional. Ele é louvado, festejado e sustentado, mas sua autoridade como rei é insignificante. De maneira nominal lidera a todos, mas nas horas de crise alguém mais toma as decisões. Nas ocasiões solenes aparece em suas roupagens reais a fim de pronunciar o discurso insípido, incolor, colocado em seus lábios pelos verdadeiros senhores do país. Toda a situação pode não passar de um faz-de-conta inócuo, mas tem suas raízes no passado e ninguém quer desistir dele. Entre as igrejas evangélicas, Cristo não passa hoje de um Simples símbolo, muito amado."Todos Louvem o Poder do Nome de Jesus" é o hino nacional da igreja e a cruz sua bandeira oficial. Mas nos serviços semanais da igreja e na conduta diária de seus membros, alguém mais, e não Cristo, toma as decisões. Nas ocasiões adequadas, permite-se que Cristo diga: "Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados" ou "Não se turbe o vosso coração", mas no momento em que termina o sermão alguém toma a dianteira. Os que têm autoridade decidem quais devem ser os padrões morais da igreja, assim como todos os objetivos e métodos empregados para alcançá-los. Devido a uma organização longa e meticulosa, o jovem pastor recém-saído do seminário exerce hoje muitas vezes mais autoridade sobre a igreja do que Jesus Cristo. Cristo não só tem agora menos ou nenhuma autoridade, Ele também está perdendo cada vez mais a sua influência. Não diria que ela é inexistente, mas sim que é pequena e está diminuindo. Uma comparação justa seria com a influência de Abraão Lincoln sobre o povo norte-americano. O honesto Abe continua sendo o ídolo do país. Seu rosto bondoso, austero, tão comum que chega a ser belo, aparece em toda parte. É fácil sentir os olhos cheios de lágrimas quando pensamos nele. As crianças crescem aprendendo histórias a respeito do seu amor, honestidade e humildade. Mas depois de termos controlado nossas emoções, o que nos resta? Nada mais que um bom exemplo, o qual, à medida que retrocede no passado se torna cada vez mais irreal e exerce uma influência cada vez menor. Qualquer patife está disposto a vestir o casaco de Lincoln, preto e comprido. A luz fria dos fatos políticos nos Estados Unidos, o constante apelo a Lincoln por parte dos políticos não passa de uma piada cínica.

A soberania de Jesus não está de todo esquecida entre os cristãos. mas foi relegada ao hinário, onde toda responsabilidade em relação a ela pode ser confortavelmente descarregada num brilho de agradável emoção religiosa. No caso de ser ensinada como uma teoria na sala de aula, ela é raramente aplicada na vida diária. A ideia de que o Homem Cristo Jesus possui autoridade final e absoluta sobre toda a igreja e todos os seus membros em cada detalhe de suas vidas é simplesmente posta de lado hoje como não sendo verdadeira pelos cristãos evangélicos de modo geral. O que fazemos é o seguinte: aceitamos o cristianismo de nosso grupo como sendo idêntico ao de Cristo e seus apóstolos. As crenças, práticas, ética e atividades de nosso grupo são equacionadas com o cristianismo do Novo Testamento. O que quer que o grupo pense diga ou faça é bíblico, sem que façam perguntas. Presume-se que tudo que o Senhor nos pede é para ocupar-nos com todas as atividades do grupo; e, agindo assim, estamos cumprindo os mandamentos de Cristo. No sentido de evitar a dura necessidade de obedecer ou rejeitar as claras instruções do Senhor no Novo Testamento, nos refugiamos na interpretação liberal das mesmas. A casuística não e propriedade exclusiva dos teólogos católico-romanos. Os evangélicos também sabem perfeitamente fugir das arestas aguçadas da obediência por meio de explicações sutis e complexas. Estas são feitas sob medida para a carne. Eles desculpam a desobediência, acomodam a carnalidade e neutralizam as palavras de Cristo. A essência de tudo é simplesmente que Cristo não poderia ter pretendido dizer o que disse. Seus ensinos, mesmo em teoria, são aceitos apenas depois de terem sido diluídos pela interpretação. Cristo é porém consultado por um número cada vez maior de pessoas com "problemas" e buscado pelos que desejam paz de mente. Ele é largamente recomendado como uma espécie de psiquiatra espiritual com poderes notáveis para esclarecer os que estão confusos. Jesus é capaz de livrá-los de seus complexos de culpa e ajudá-los a evitar graves traumas psíquicos através de um ajuste suave e fácil à sociedade e a seu próprio id.

Este Cristo estranho não tem naturalmente qualquer ligação com o Cristo do Novo Testamento. O verdadeiro Cristo é também Senhor, mas este Cristo tolerante não passa de um servo do povo um pouco mais graduado. Suponho, todavia, que devo oferecer alguma prova concreta para apoiar minha acusação de que Cristo tem pouca ou nenhuma autoridade hoje entre as igrejas. Vou fazer então algumas perguntas e a resposta às mesmas será a evidência. Qual a diretoria da igreja que consulta as palavras do Senhor para decidir os assuntos em discussão? Quem estiver lendo isto e que já tenha feito parte de um quadro diretor, procure lembrar-se das vezes em que qualquer membro lesse as Escrituras para estabelecer um ponto, ou que qualquer presidente da reunião sugerisse aos irmãos que procurassem as instruções que o Senhor poderia dar-lhes num determinado assunto. As reuniões administrativas são geralmente iniciadas com uma oração formal; depois disso o Cabeça da Igreja fica respeitosamente em silêncio enquanto os verdadeiros governantes passam a agir. Quem quiser negar isto apresente evidência em contrário. Ficarei muito contente se isso acontecer. Que comitê da Escola Dominica pesquisa a Escritura pedindo orientação? Não é verdade que os membros invariavelmente julgam que sabem tudo o que precisam fazer e que o único problema é descobrir meios eficazes para pôr seu plano em prática? Planos, regras, "operações" e novas técnicas metodológicas absorvem todo o seu tempo e atenção. A oração antes da reunião é no sentido de pedir ajuda divina para seus planos. A ideia de que o Senhor possa ter algumas instruções para dar-lhes nem sequer lhes cruza a mente. Quem se lembra de um presidente de assembléia ter levado a Bíblia para a mesa com ele a fim de realmente usá-la? Minutas, regulamentos, regras da ordem, etc., sim. Os mandamentos sagrados do Senhor, não. Existe uma absoluta diferença entre o período devocional e a sessão de negócios. O primeiro não tem relação alguma com o segundo. Qual a entidade missionária no estrangeiro que realmente busca seguir a orientação do Senhor como provida pela sua Palavra e seu Espírito? Todas pensam que fazem isso, mas na verdade apenas presumem que seus objetivos são bíblicos e pedem a seguir auxílio para alcançá-los. Podem até mesmo orar a noite inteira a Deus, a fim de que seus empreendimentos tenham êxito, mas Cristo é desejado como ajudante e não como Senhor. Os recursos humanos são projetados para alcançar fins tidos como divinos, A seguir estes se transformam em regras fixas e daí por diante o Senhor não tem sequer o direito de votar a favor ou contra. Na organização do culto público onde se acha a autoridade de Cristo? A verdade é que o Senhor raramente controla um serviço hoje em dia, e sua influência é bem insignificante. Cantamos a respeito dEle e pregamos sobre Ele, mas não permitimos que Ele interfira; adoramos à nossa moda, e esta deve estar certa porque sempre fizemos isso. como as outras igrejas em nosso grupo. Qual o cristão que vai diretamente ao Sermão do Monte ou outra passagem do Novo Testamento para obter uma resposta com autoridade ao enfrentar um problema moral? Quem aceita as palavras de Cristo como finais com relação à coleta, controle da natalidade, criação dos filhos, hábitos pessoais, dízimo, diversões, vendas, compras, e outros assuntos importantes? Qual a escola de teologia, a partir do instituto bíblico mais humilde, que continuaria a funcionar se fizesse Cristo Senhor de todos os seus regulamentos? Pode ser que haja alguma, e oro nesse sentido, mas creio estar certo quando digo que a maioria das escolas a fim de poderem manter-se são forçadas a adotar procedimentos que não encontram justificativa na Bíblia que professam ensinar. Vemo-nos então diante de uma estranha anomalia: a autoridade de Cristo é ignorada a fim de manter uma entidade que ensina entre outras coisas a autoridade de Cristo. As causas que produziram o declínio da autoridade do Senhor são várias. Vou citar apenas duas. Uma delas é o poder do costume, precedente e tradição nos grupos religiosos mais antigos. Como a lei da gravitação, essas coisas afetam cada elemento da prática religiosa dentro do grupo, exercendo uma pressão firme e constante em uma direção. Essa direção como é natural, é a da conformidade com o estado de coisas, o "status quo". O costume e não Cristo é senhor nesta situação. E a mesma condição foi transmitida (talvez num grau um pouco menor) a outras igrejas, tais como os tabernáculos, as "holiness churches". as igrejas pentecostais e fundamentalistas e as muitas igrejas independentes e não-denominacionais que se vêem por toda parte. A segunda causa é o reavivamento do intelectualismo entre os "evangelicais". Se posso julgar corretamente a situação, não se trata tanto de sede de aprender como do desejo de adquirir uma reputação de intelectual. Por causa disso, homens bons que deveriam ter-se apercebido da situação, estão sendo usados para colaborar com o inimigo. Vou explicar. Nossa fé evangélica (que acredito ser a verdadeira fé possuída por Cristo e seus apóstolos) está sendo hoje atacada de muitas direções diferentes. No mundo ocidental o inimigo repudiou a violência, ele não vem a nós com a espada e o porrete; vem agora sorrindo, trazendo presentes. Eleva os olhos para o céu e jura que crê também na fé possuída por nossos pais, mas seu verdadeiro propósito é destruir essa fé, ou pelo menos modificá-la até o ponto de não mais conter o elemento sobrenatural que antes continha. Ele vem em nome da filosofia, psicologia ou antropologia, e com uma atitude mansa e razoável insiste em que repensemos a nossa posição histórica, que sejamos menos rígidos, mais tolerantes, mais compreensivos. Ele fala no jargão sagrado das escolas e muitos de nossos evangélicos semi-educados correm para render-lhe culto. Ele atira diplomas acadêmicos aos filhos dos profetas, como Rockefeller fazia com os filhos dos camponeses. Os "evangélicos" que foram acusados, mais ou menos justamente, de não possuírem uma escolaridade de nível superior, agora procuram agarrar esses símbolos de posição com os olhos brilhando, e quando os obtêm mal conseguem crer na sua boa sorte. Para o verdadeiro cristão, o teste supremo de tudo quanto se refere à religião é o lugar que o Senhor ocupa. Ele é Senhor ou símbolo? Acha-se no controle do projeto ou não passa de um simples ajudante? Decide as coisas ou apenas colabora na execução dos planos de outros? Todas as atividades religiosas, desde o ato mais simples de um único cristão até as obras cansativas e dispendiosas de toda uma denominação, podem ser testadas de acordo com a resposta dada à pergunta: Jesus Cristo é Senhor neste ato? O fato de nossas obras provarem ser de madeira, palha e mato em lugar de ouro, prata e pedras preciosas naquele grande dia, vai depender da resposta certa a essa pergunta. Que fazer então? Cada um de nós deve decidir, e existem três escolhas possíveis. Uma delas é indignar-se e acusar-me de uma atitude irresponsável. Outra é concordar de maneira geral com o que escrevi, mas consolar-se com a ideia de que existem exceções e estamos entre estas. A terceira é prostrar-se humildemente e confessar que entristecemos o Espírito e desonramos o Senhor, deixando de dar-lhe a posição que o Pai lhe conferiu como Cabeça e Senhor da Igreja. A primeira e a segunda não farão senão confirmar o erro. Mas a terceira, se levada até a sua execução final, poderá remover a maldição. A decisão é nossa.

Colaborou: Alexandre rodrigues, por e-mail

sábado, 27 de outubro de 2012

Aos Santos em Cristo Jesus



Jaime Marcelino
  
"Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos, graça e paz a vós outros, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (Fp 1: 1, 2)

Dirijo-me a todos os evangélicos leitores deste site, desejoso de que a saudação contida no texto acima encontre guarida nos seus corações. No entanto, é necessário que reflitamos no referido texto, crendo que nosso Senhor Jesus Cristo nos dará compreensão e a experiência da graça e da paz! 

Ora, Paulo, o real autor da carta aos filipenses, no momento que a escreveu estava preso e acorrentado a soldados especiais, que eram os da guarda pretoriana! Mas, apesar disso, vemo-lo cheio de contentamento, a ponto de desejar aos seus irmãos, que estavam livres ou fora da cadeia, o que ele e Timóteo experimentavam abundantemente - "graça e paz"! Ora, qual é o segredo de tal experiência?

1. Paulo e Timóteo eram conscientes do privilégio que é ser escravo de Cristo Jesus. Vejo isso pelo fato de eles terem se apresentado como "servos de Cristo Jesus". Ora, isso é da máxima importância, uma vez que eles dois se rendiam, não a homem algum, mas à vontade dAquele que, dos céus, domina sobre tudo (cf. Fp 2). Por essa razão, Paulo não considerava a sua prisão como proveniente de César, o imperador, pois disse: "as minhas cadeias em Cristo" (Fp 1:). Também, Paulo pode dizer que seu viver era Cristo (Fp 1: 21); sua fortaleza era Cristo (Fp 4: 13); sua alegria estava em Cristo (Fp 4: 10); e, seu morrer era lucro, por ser Cristo seu tudo! Oh! Que grande privilégio é servir a Cristo Jesus! E nisso está a abundante graça!

2. Como "servos de Cristo Jesus", quer presos quer soltos, Paulo e Timóteo alegremente serviam aos que seu Senhor conquistou para Si, a saber, "todos os santos em Cristo Jesus". Muito se poderia escrever sobre isso, mas uma das maiores provas da amorosa disposição de Paulo para servir a seus irmãos pode ser vista quando ele se encontrou num santo dilema. Ei-lo: Depois de ter afirmado: "Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro", e mais: "estar com Cristo [...] é incomparavelmente melhor", Paulo declarou cheio de amor: "Mas, por vossa causa. É mais necessário permanecer na carne. E, convencido disto, estou certo que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé" (Fp 1: 21-26). Em outras palavras, mesmo esmagado pelos dois desejos, preferiu servir aos irmãos, deixando de querer o que seria incomparavelmente melhor, para ele. Afinal, seu amor por Cristo o levava a servir "os santos em Cristo Jesus", para que, disse ele: "aumente, quanto a mim, o motivo de vos gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco" (v. 26). E quanto a Timóteo, o que pode ser dito? Basta que tomemos as doces palavras de Paulo acerca de Timóteo, e isso será o bastante para demonstrar quanto ele servia a Cristo servindo os santos em Cristo Jesus: "Porque a ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus. E conheceis o seu caráter provado, pois serviu ao evangelho, junto comigo, como filho ao pai. Este, com efeito, é quem espero enviar, tão logo tenha eu visto a minha situação" (Fp 2: 20-23).

Oh! Quanta "graça" havia nesses dois servos de Cristo Jesus! E quanto eles, na medida em que serviam os santos em Cristo Jesus, gozavam "paz"!

3. Paulo e Timóteo criam ser também "santos em Cristo Jesus". Antes de serem servos de Cristo Jesus, eles foram "chamados para [ser] santos" no sentido de "separados para dedicação ou devoção a Deus"; mas, sobretudo, foram feitos santos no maravilhoso aspecto da sua nova natureza. Daí, o uso que Paulo fez da expressão "em Cristo Jesus", para definir e qualificar o vocábulo "santos". Neles, pois, habitava o Espírito Santo, o regenerador e santificador do povo de Deus. O Espírito que fora enviado em nome do Pai e do Filho, a fim de glorificar o Filho. Por isso, Paulo e Timóteo criam que, sendo Jesus "santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus" (Hb 7: 26), e que tendo "oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados [...] aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados" (Hb 10: 12, 14). Por esta razão, Paulo e Timóteo, sendo "santos em Cristo Jesus", procuravam "ser achados em Cristo Jesus" para mais e mais "alcançar" o alvo para o qual foram conquistados por Cristo Jesus, a saber, a perfeição em Cristo Jesus. Em outras palavras, eles se esforçavam para experimentar o que disse o apóstolo Pedro: "antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2Pe3: 18).

Espero que tenham percebido como "exagerei" no uso da expressão "Cristo Jesus". Por que o fiz? Porque devemos estar certos de que nossa maior necessidade é ter a Cristo Jesus como nosso tudo! E se quisermos ver esta atitude em Paulo, basta que observemos que ele usou o Nome do Senhor Jesus, nos dois versículos do nosso texto, três vezes!

Assim, caro leitor, se você já crê no glorioso evangelho de Deus, com respeito ao Seu Filho, Jesus Cristo, lembre duas coisas: Primeiro, a graça do Senhor Jesus lhe foi abundante, pelo que você nasceu de novo, tendo sido feito um dos "santos em Cristo Jesus". Segundo, lembre que é vital que a graça do Senhor Jesus continue operando para que os "santos em Cristo Jesus" vivam a vida cristã de modo a glorificar a Deus em Cristo Jesus. E é somente pela operação da graça de Deus em Cristo Jesus, que é Seu favor beneficiando os santos em Cristo Jesus, que eles servirão a Cristo Jesus, servirão aos demais no Senhor Jesus. E assim, "a Paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus"!

Fonte: Editora Fiel - Devocional do Mês, Edição 16 - Outubro